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Pinhão-manso

    Entre as experiências feitas com vegetais para uma futura substituição do óleo diesel como combustível, destacaram-se como plantas de alta possibilidade o pinhão-maraguai, manduri-graça, mandobi-guaçu e pião, e o pinhão-manso (Jatropha pohliana M.), também conhecido como pinhão-branco. Tanto o pinhão-manso como o pinhão-bravo vêm sendo utilizados comumente como cerca viva, mas o pínhão-manso é usado também para a extração de óleo que serve para a fabricação de sabão e como purgativo para o gado bovino. Ensaios feitos com o óleo extraído do pinhão-manso (óleo-de-purgueira), comparando-o com o diesel deram bons resultados. Num motor diesel, para gerar a mesma potência, o consumo de óleo-de-purgueira foi 20% maior, o ruído mais suave e a emissão de fumaça, semelhante. Considerou-se também possível o uso desse óleo não apenas como combustível mas também na indústria de tintas e de vernizes. Análises posteriores mostraram que o óleo de pinhão-manso tem 83,9% do poder calorífico do óleo diesel, e o óleo de pinhão-bravo, 77,2%. Se o óleo de pinhão-manso for usado como substituto do diesel, o consumo será 16,1% maior; se a experiência for feita com o óleo de pinhão-bravo, será 21,8% maior. Além disso, a torta que resta é um fertilizante rico em nitrogênio, potássio, fósforo e matéria orgânica. Desintoxicada, a torta pode também ser transformada em ração, como tem feito a torta de mamona. E a casca dos pinhões pode ser usada como carvão vegetal e matéria-prima na fabricação de papel. 
Pinhão-manso - Jatropha pohliana
Descrição 
    O pinhão manso é um arbusto ou árvore com até 4 m de altura, flores pequenas, amarelo-esverdeadas, cujo fruto é uma cápsula com três sementes escuras, lisas, dentro das quais se encontra a amêndoa branca, tenra e rica em óleo. A semente contém 66% de cascas, fornece de 50 a 52% de óleo extraído com solventes e 32 a 35% em caso de extração por expressão (trituração e aquecimento da amêndoa). O pinhão-manso tem folhas em forma de coração, e o pinhão-bravo, folhas mais alongadas. Outra diferença entre ambos é que os frutos do pinhão-bravo são deiscentes, isto é, ao atingir a maturidade, abrem-se, deixando cair as sementes. A semente do pinhão-manso pesa de 0,48 a 0,72 g e a do pinhão-bravo. de 0,22 a 0,39 g. Essas plantas ocorrem espontaneamente desde o Maranhão até o Paraná. Em alguns lugares, sem distinção de espécie, são chamados, além dos nomes já referidos, de purgueira, grão-de-maluco, pinhão-de-cena, tuba, tartago, tapete, siclité, pinhão-de-infemo, figo-do-inferno, pinhão-das-barbadas e saci. 

Clima 
    Planta tipicamente tropical, prefere clima quente, com período seco bem definido. Ocorre também em regiões muito quentes no verão e bem frias no inverno, como o Noroeste do Estado de São Paulo e o Paraguai. 

Cultura do pinhão-manso 
    Obtém-se boa multiplicação das plantas por meio de sementeiras ou por estacas. Por estacas, a multiplicação é mais rápida. mas gera unidades menos resistentes. A média geral de germinação das estacas chega a 50% (é de cerca de 45%). E as estacas com mais de 2 cm de espessura proporcionam maior índice de germinação. O espaçamento ideal entre elas é de 2 x 3 m. Usam-se espaçamentos maiores, visando o plantio de culturas intercalares, como o feijão-de-corda, amendoim, mandioca, mamona ou arroz. Segundo a Empresa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), é possível plantar também, entre fileiras distanciadas em 4 m, duas fileiras de sorgo, separadas de 1 m, mas é preciso que os cachos do sorgo sejam protegidos contra o ataque de pássaros. A cova do pinhão deve ter no mínimo 50 cm de profundidade. Em sementeira, a germinação pode chegar a quase 100%, usando-se sementes-novas, de boa conformação. Aconselha-se, no caso, o uso de sacos plásticos pretos, como cobertura, para evitar a ação direta dos raios solares. 

Cultura de pinhão-bravo 
    O melhor método é o do aproveitamento das mudas naturais existentes junto às plantas- mães, originadas das sementes que caem, já que essa espécie é deiscente. Outro método é o de estacas, que devem ter cerca de 80 cm, com as duas extremidades em bisei, ou seja, cortadas obliquamente, chanfradas. 

Uma planta de futuro 
    Sendo uma cultura existente de forma espontânea em áreas de solos pouco férteis e de clima desforável à maioria das culturas alimentares tradicionais, o pinhão pode ser considerado uma das mais promissoras oleaginosas do Nordeste, apresentando ainda como vantagens o fato de não ser muito afetado até o presente por nenhuma praga. É altamente resistente a doenças e os insetos não o atacam, pois ele segrega um leite que queima. Nas experiências da Epamig, no Norte de Minas, o pinhão-manso foi pouco atacado por parasitas, mas registrou-se a ocorrência de saúvas  formiga rapa-rapa, ácaro branco, ácaro-vermelho, tripes, oídio e cupins. 

Produção 
     Não existem ainda dados definitivos sobre a produtividade desses pinhões. Em plantio irrigado por gravidade, a Epamig já registrou a produção de 2 500 kg de sementes frescas (com um rendimento de 38% de óleo) de pinhão- manso por hectare. Em Felixlândia (MG), a produção atingiu apenas 500 kg/ha. As ávores de pinhão-manso duram 35 anos, e cada planta pode produzir vários quilos de sementes por ano. 

Sementes 
    Pequenas quantidades de se- mentes podem ser obtidas na Casa da Agricultura, em São Paulo, e na Epamig. em Minas Gerais.

Fotos
Pinhão-manso

plantio de pinhão-manso

Oiticica

    A oiticica (Licania rígida Benth) é uma árvore da família das rosáceas, nativa do semi-árido nordestino, com 10 a 12 m de altura, em média, podendo chegar a até 30 m, com um tronco grosso que se ramifica pouco acima do solo, formando copas com 20 a 30 m de diâmetro. Seu fruto, uma baga com até 7,5 cm de comprimento e pouco mais de 2 cm de largura (às vezes tem forma um pouco diferente, mais curta e ovalada), tem semente avermelhada, envolvida por uma polpa amarela, rala, de cheiro pouco agradável, apreciada por algumas aves e morcegos. A grande importância da oiticica está nessas sementes, com cerca de 38% de um óleo com propriedades secantes (há referências a até 60% de óleo), próprio para a fabricação de tintas e vernizes. A madeira branca, de fibras entrelaçadas, resistentes, também é muito usada, mas' não concorre, em importância, com as sementes. As folhas são ásperas  servem de lixa e, durante a seca, de alimento para o gado. 
Oiticica - Licania rígida Benth
    Menos da metade do óleo de oiticica produzido no Brasil é consumido aqui. O restante é exportado para os Estados Unidos, México, Itália, Inglaterra e outros países. O mercado externo, porém, é altamente competitivo, e o preço do óleo de oiticica depende da produção e da comercialização de óleos concorrentes, como o de tungue, o de perila, o de linhaça e outros óleos sintéticos relativamente baratos e de qualidade às vezes superior. 

Clima e solo 
    A oiticica vegeta espontaneamente no sertão e no litoral dos Estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí. O clima dessa região é tropical quente, de seca acentuada (tem uma estação seca de sete a oito meses, que começa no inverno), com chuvas de 650 a 850 mm anuais. A temperatura no mês mais frio é superior a 15°C. Os solos em que cresce naturalmente são os de aluvião, de ótima fertilidade, rico, com alto teor de nitrogênio, pH acima de 7, compostos de areia, argila e húmus, em proporção equilibrada, o que lhes dá características de grande permeabilidade, arejamento, drenagem natural e profundidade. Esses solos, comuns em aluviões de rios e também em pés de serra, são formados neste local por águas de chuva. A altitude preferida varia em torno de 200 m. 

Plantio 
    A maioria das árvores de oiticica existentes nasceu e cresceu espontaneamente, mas a propagação pode ser feita por sementes e por enxertía. A propagação por sementes, mesmo escolhendo-se apenas as originárias de árvores fortes e sadias, é muito irregular. O índice da germinação é baixo e em pouco tempo a semente perde seu poder germinativo, O método mais eficiente de propagação consiste em retirar a casca das sementes e semear as amêndoas ao sol, sem cobertura. O ideal, porém, é que a temperatura esteja em torno dos 30°C; se estiver muito acima, o poder germinativo tende a diminuir. Dessa forma, a semente germina em cerca de 30 dias, e a planta cresce rapidamente nos quinze seguintes, em média 6 mm por dia. Quando a muda estiver com aproximadamente 0,15 m de altura, 60 a 120 dias depois da germinação deve ir para o viveiro, onde fica por seis meses, quando atinge 0,80 m de altura. Faz-se então a enxertia de encosto. Pode-se também fazer a enxertia de borbulha, quando a muda tiver 8 a 10 meses. A forma de fazer os enxertos é idêntica à das mangueiras. O transplante para o local definitivo é feito na estação chuvosa, O espaçamento deve ser de 15 a 20 m entre as filas e as árvores. Com espaçamento de 20 x 20 m, plantam-se 25 árvores por hectare. As covas devem ter 1 x 1 x 1 m, cheias de terra preta misturada com esterco de curral ou composto com 2 kg de pó de osso. A muda é colocada no centro da cova, um pouco abaixo do nível do terreno. 

Tratos culturais 
    Se as chuvas forem escassas no primeiro ano, é recomendável fazer irrigações três vezes por semana, com 40 l de água por árvore. Com 1,50 m de altura podem-se fazer podas para orientar o crescimento. 

Consorciação 
    Nos primeiros três anos, recomenda-se o plantio de culturas intercalares, para proteger o solo da insolação e dos ventos: feijão, milho, mandioca, abacaxi ou leguminosas forrageiras. A partir do 4° ano, pode-se interromper essa consorciação e adotar a adubação verde, com o plantio de alguma leguminosa. 

Pragas 
    Se não for uma limpeza regular em torno do tronco e sob a árvore, aparecem muitas plantas concorrentes e desenvolvem-se vários tipos de cipós, que disputam os elementos nutritivos do solo com ela, favorecendo o surgimento de algas e fungos. As pragas principais que atacam a oiticica são as que provocam o broqueamento dos frutos. A rosara-da-oiticica é a praga que exige maior combate, pois provoca a broca dos frutos novos. E preciso cuidado para combater as pragas, a fim de não eliminar os insetos responsá- veis pela polinização das flores da oiticica. 
    Os pássaros e morcegos bicam e sugam a polpa dos frutos e contribuem para evitar o aparecimento de fungos que se localizam aí. A ação é benéfica, pois as sementes ficam limpas e fornecem óleo de melhor qualidade. Mas quando o fruto é novo, as bicadas podem destruir as sementes. Entre os pássaros que mais se alimentam com a polpa da oiticica estão o periquito, o choro, o sofrê (corrupíão) e a graúna-bico-de-osso. As saúvas despolpam os frutos junto ao formigueiro sem causar nenhum dano à semente. 



Colheita 
    A árvore começa a frutificar do 3° ao 5° ano. Com cerca de 10 anos já produz plenamente, alcançando 10 m de altura. Há árvores com mais de 100 anos ainda produzindo. Em geral, a oiticica tem três florações seguidas, de julho a dezembro, principalmente em outubro e novembro. Da primeira à última flor, em geral, passam-se 100 dias. Há então a polinização, principalmente por insetos, e em seguida nascem os frutos, que precisam de chuvas para a maturação, o que acontece nos três primeiros meses do ano. Não convém usar varas nem balançar os galhos para derrubar os frutos, por que isso prejudica a árvore (cai a produção nos anos seguintes) e nem derrubar frutos ainda imaturos. O único processo de colheita recomendado é o recolhimento diário dos frutos que vão caindo. Essa cata tem de ser diária, para evitar a fermentação dos frutos. 
    Cada árvore dá em média 100 kg de sementes, que contêm 22% de casca e 78% de amêndoas, segundo alguns autores, e até 37% de casca, segundo outros. Para obter 1 kg, são necessárias 218 a 260 sementes de tamanho médio. Há referências a árvores que produziram até 1500 kg num ano, mas nos anos seguintes houve safras reduzidas. É aconselhável o rápido processamento para a extração do óleo, por meio de prensagem ou de solventes, porque em alguns meses o seu teor de óleo baixa consideravelmente. A torta resultante da prensagem para a extração do óleo pode ser utilizada como excelente adubo, mas deve-se evitar a sua aplicação isolada. É preciso misturar a torta com farinha de ossos e cinzas de bagaço de cana, que absorvem o óleo residual. Esse óleo, com as transformações químicas provocadas pelo calor, pode até matar as plantas se a torta for aplicada como adubo sem mistura. A torta não serve também para alimentação animal, pois é muito tóxica e de cheiro desagradável. As cascas dos frutos, retirados antes da prensagem, podem ser dadas ao gado. 

O óleo de oiticica 
    O óleo serve exclusivamente para uso industrial, é um óleo rico em iodo e, por isso, altamente secativo  com um vasto campo de aplicação na indústria de tintas e vernizes de secagem rápida. Por suas qualidades anticorrosivas e anticrustantes (impede a formação de crostas) é utilizado também na indústria de tintas de impressão, na fabricação de lonas de freios e borrachas elásticas. 

Comercialização 
    A venda das sementes, embaladas em sacos de 60 kg, é feita diretamente às usinas de beneficiamento, a maioria delas localizadas em Fortaleza. Essas usinas não trabalham só com a oiticica mas também com a mamona, pois não podem ficar na dependência das safras de oiticica, muito irregulares em volume e concentradas numa única época do ano. Sobral, também no Ceará, é outra cidade grande consumidora de sementes de oiticica. 

Mamona

    A mamoneira (Ricinus communis L.), também conhecida como carrapateira, rícino, palma-christi, bafureira e baga, é uma planta de origem afro-asiática, encontrada em maior quantidade na Etiópia e na Índia. Tem raízes laterais e uma raiz pivorante que pode atingir 1,50 m de profundidade. As variedades cultivadas no Brasil podem ser de porte anão ou baixo (até 1,60 m), médio (1,60 a 2,00 m) ou alto (acima de 2,00 m). Há também variedades com frutos deiscentes (quando maduros se abrem, deixando cair as sementes) e indeiscentes. O fruto é uma cápsula com espinhos, com três divisões e uma semente em cada uma. 

Variedades 
Mamona - Ricinus communis   Embora existente em todo o Brasil o sistema de cultivo varia entre as regiões Norte/Nordeste e Sul/Sudeste. No Norte/Nordeste predominam as mamoneiras de porte alto, semi-perenes (duram de três a cinco anos), deiscentes e de sementes graúdas. No Sul, de modo geral, plantam-se mais as de porte anão e médio, com ciclo anual (plantio e colheita no ano agrícola e em seguida destruição da cultura, novo plantio no ano seguinte) e com frutos deiscentes e indeiscentes. Mas, no Paraná, por exemplo, cultivam-se também as de porte alto, que dão em média três colheitas. Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul (norte do Paraná), as variedades mais aceitas são a ACA-80 a IAC-38 e a guarany. A IAC-80 é alta, com ciclo de 240 a 260 dias, frutos deiscentes, exigindo colheita manual e parcelada, com rendimento de 1500 a 3000 kg/ha, dando 47 a 49% de óleo. A IAC-38 é anã, com ciclo de 200 a 220 dias, frutos deiscentes, com rendimento de 1500 a 2000 kg/ha, dando 40 a 41% de óleo. A guarany, média, tem ciclo de 160 a 180 dias, com rendimento de 1900 a 2 400 kglha, dando 46 a 47% de óleo. Seus frutos são indeiscentes, o que permite uma colheita única, manual, mas exige descascadeira especial. No Norte e no Nordeste, além das variedades citadas, são recomendadas a sipeal-9 e a sipeal-28. 

Clima e solo 
    Sendo uma planta de clima tropical e subtropical, a mamona desenvolve-se muito bem no Brasil. Precisa de chuvas regulares no início de sua vegetação e crescimento, e de períodos secos na maturação dos frutos. O mínimo de chuvas que exige é 400 mm durante o período vegetativo. Regiões muito úmidas favorecem o desenvolvimento de um fungo chamado botryptis, mais conhecido como mofo-cinzento. A temperatura ideal para o seu desenvolvimento é de 20 a 30ºC. Em clima temperado a planta se desenvolve, mas com uma produção de óleo prejudicada. Não suporta geadas, ventos fortes freqüentes e nebulosidade. O solo preferido é o mesmo que se presta à produção de milho, de boa topografia (inclinação não superior a 12%), com boa exposição ao sol, fértil, profundo e bem drenado. Os solos argilo-silicosos ou sílico-argilosos, com pH entre 6 e 7, são os ideais para a mamoneira, que é exigente também em termos de nitrogênio, fósforo e potássio e não produz bem em solos pobres e encharcados. 

Época de plantio 
    No início das chuvas, que pode ser entre setembro e novembro, no Sudeste e no Sul, e entre novembro e janeiro, no Nordeste. 

Semeadura 
    O ideal é colocar duas sementes por cova. O espaçamento varia conforme o tipo de solo e o porte da mamoneira. Para as de porte alto (IAC-80 ou sipeal-9 e 28), em solos menos férteis, o espaçamento deve ser de 1 m entre as plantas e 3 m entre as fileiras, com uma ou duas plantas por cova. Em solos férteis, o espaçamento se amplia para 3,50 a 4,00 m entre as fileiras, mantendo-se a distância de 1 m dentro da fileira e uma ou duas plantas por cova. Pode-se então utilizar a consorciação com culturas de milho, arroz, amendoim, feijão ou sorgo-vassoura. 
    Para as variedades de porte baixo, costuma-se dar um espaçamento de 1,50 m, entre as fileiras nos solos férteis, e 1,00 m nos menos férteis, com 0,50 m de distância entre as plantas. Colocam-se também duas sementes por cova, deixando, em caso de necessidade de desbaste, uma a duas plantas por cova. Para as mamoneiras de porte médio, como a guarany, o espaçamento recomendado é de 1,50 x 0,50 m ou 1,50 x 1,00 m. Em caso de cultura mecanizada, deverá ser necessariamente de 1,50 x 1,00 m. A necessidade de sementes é de 3 kg a 4 kg/ha para as variedades de porte alto, 12 a 15 kg para as de porte médio e 17 a 25 kg para as de porte baixo. O plantio pode ser também mecânico. Em ambos os casos a profundidade deve ser de 5 a 8 cm. No Nordeste, há experiências de plantio com espaçamento de 3,00 x 3,00 m, em covas de 5 a 6 em, com duas a três sementes por cova. o que representa cerca de 6 kg/ha sementes. A espécie recomendada no caso é a rajada, e esse espaçamento deve-se ao consórcio milho/feijão-macassar simultaneamente. 

Consorciação de culturas 
Consorciação de mamona com feijão    O milho pode ser plantado trinta dias depois da germinação da mamona, em três linhas distanciadas de 0,80 m no meio da rua, em caso de espaçamentos de 4,00 x 1,00 m. Nos espaçamentos de 3,50 x 1.00 m e 3,00 x 1.00 m, plantar só duas linhas de milho. São indicados os milhos híbridos. 
    O arroz é plantado em quatro linhas com 0,60 m de distância, no meio da rua de mamona, na mesma época do plantio desta, no caso de espaçamento 4,00 x 1,00 m. Nos outros espaçamentos, plantar só trés linhas de arroz, usando sempre cinqüenta sementes por metro. O arroz deverá ser de variedade precoce (120 dias). como O IAC-165. O amendoim também pode ser plantado na mesma época do plantio da mamona, em quatro linhas distanciadas de 0,60 m, no espaçamento 4,00 x 1,00 m da mamona, ou três linhas nos espaçamentos menores. Uma variedade recomendada é a tatu. Ainda na mesma época do plantio da mamona, pode-se semear em consórcio o feijão, em quatro linhas distanciadas 0,50 m, usando-se 12 a 15 sementes por metro, no espaçamento de 4,00 x 1,00 m da mamona. Nos outros espaçamentos, plantar só três ruas de feijão. Para a consorciação com o sorgo-vassoura, obedecer a mesma orientação dada para o plantio do milho. Na consorciação com feijão-macassar e milho, de acordo com recomendações da Emater-PE e do Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semi-Árido (CPATSA), da Embrapa, a mamona é plantada com espaçamento de 3,00 x 3,00 m usando-se 6 kg/ha sementes. O milho é plantado no meio das fileiras de mamona (1,50 m de cada fila), com distanciamento de 0.50 m entre as covas, e também nas entre covas da mamona, com distância de 1 m. São necessários 10 kg de sementes. O feijão- macassar é plantado entre as filas de mamona e de milho, ficando portanto duas filas em cada rua de mamona, com espaçamento de 0,50 m entre as covas. São necessários 12 kg da variedade sérido-alagoano. O rendimento esperado dessa consorciação é de 700 a 900 kg de mamona, 1200 a 1600 kg de milho e 800 a 1000 kg/ha de feijão macassar. 

Tratos culturais 
    Deverão ser feitas duas a três capinas, com espaçamentos de 20 a 30 dias, de preferência amontoando-se a terra solta junto ao pé da planta. Depois disso, o próprio sombreamento da planta impede o crescimento de invasoras. Em caso de necessidade de desbaste, ele deverá ser feito aos 20 ou 30 dias depois da emergência, deixando-se uma a duas plantas por cova. 

Pragas e doenças 
Pragas e doenças da mamona
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    Normalmente poucos insetos atacam a mamoneira. Os que, podem provocar prejuízos à produção  o percevejo-verde (sugam o fruto, deixando as sementes chochas), mandarovã-da- mandioca (ataca as folhas), a lagarta-rosca (corta as plantas novas) e a lagarta- elasmo (que também corta as plantas novas, diminuindo o número de plantas por área). A doença mais freqüente é o mofo-cinzento, favorecido pelo calor e a umidade, que afeta tanto as inflorescências quanto os frutos, provocando o seu apodrecimento. A medida de controle recomendada é a escolha de variedades menos sujeitas a ele, como a guarany, e um espaçamento que permita a ventilação entre as linhas. A murcha-de-fusarium toma as nervuras secundárias da folha amarelas e depois marrons. Em seguida, as folhas, murcham e as hastes se desdobram. O fungo vem do solo e começa a atacar primeiro as flores mais baixas, chegando até a parte superior da planta. A medida de controle recomendada é a rotação de culturas. Outras doenças menos importantes são a podridão-do-colo, provocada por baixas temperaturas junto com a umidade excessiva do solo; a bacteriose da folha; as manchas de cercospora, e a podridão- radicular. 

Colheita 
    De maneira geral é feita quando dois terços dos frutos do cacho estiverem secos, completando a secagem no terreiro. Para as variedades deiscentes, a colheita deve ser parcelada em três a quatro vezes. No caso da IAC-80 e da IAC-38, a colheita deve obedecer ao seguinte cronograma: cachos primários (30% da produção) aos 150 dias, cachos secundários (50%) aos 190 dias, e cachos terciários (20%) aos 240 dias. As variedades indeiscentes têm uma única colheita, que ainda é feita manualmente, mas há possibilidade de mecanização havendo estudos do IAC nesse sentido. Para retirar os frutos dos cachos, pode-se fazer um penteamento, que consiste em passar esses cachos por um pente rústico, feito com pregos presos a uma ripa fixada á beira de um jacá. Os frutos devem ser estendidos no terreiro em camadas de 4 a 5 cm e mexidos várias vezes por dia, para a secagem uniforme, A tarde, devem ser enleirados e no dia seguinte esparramados novamente. É muito importante cobrir as leiras com encerado para proteger contra a chuva e o sereno.  

Beneficiamento 
    Nas variedades indeiscentes, a maioria dos frutos solta as sementes durante a secagem. Os que não se abrem devem passar por um beneficiamento, que é feito batendo-se os frutos secos com varas flexíveis, como se faz com o feijão, ou com descascadores de amendoim ou café. Quando o beneficiamento é feito com varas, é preciso peneirar as sementes.

 Armazenamento 
    As sementes são acondicionadas em sacos e estes empilhados em depósitos limpos, claros, arejados e secos. As pilhas devem estar sobre estrados de madeira, mantendo-se uma rua entre as paredes e a sacaria.  

Fotos
Mamona (Ricinus communis)

Jojoba

    A jojoba (Simmondsia chinensis (link) Scheider) originária do deserto de Sonora, no norte o México e sul dos Estados Unidos, é um arbusto com grande potencial econômico, por causa do seu óleo (que na verdade é uma cera líquida), considerado o melhor substituto para o óleo de baleia. A jojoba pode atingir 4,5 m de altura. Foi plantada experimentalmente no Campus da Universidade Federal do Ceará, em março de 1977, e 26 meses depois deu suas primeiras sementes. A produção nas experiências feitas no Ceará, foi de 70 kg/ha de grãos na primeira colheita, em média, no segundo ano de plantio, chegando às vezes a 140 kg/ha; no quarto ano de plantio, a produção atingiu 640 kg/ha um sucesso, embora se possa conseguir no Nordeste mesmo mais de 5 000 kg/ha. 
Jojoba - Simmondsia chinensis    As sementes da jojoba contém cerca de 50% de seu peso em óleo, altamente cotado no mercado internacional. Seu plantio, possível em vastas áreas do Nordeste, por certo é compensador. 

Clima e solo 
    A jojoba provém de regiões de solos áridos e pouco férteis, com chuvas de 100 a 450 mm/ano. Em condições naturais ela é encontrada em solos arenosos, aluviões, solos misturados com pedregulho, argila e areia, neutros a alcalinos com abundância de fósforo e sujeitos a secamentos anuais. Além disso tolera muito bem a salinidade. Os solos mais adequados para o cultivo de jojoba são os férteis e profundos, pois sua raiz pivorante pode chegar a 10 m de profundidade. A quantidade de água ideal é de 450 a 600 mm/ano, e as melhores condições para a germinação de suas sementes são a temperatura de 20 a 30°C e alta umidade nos vinte dias que antecedem o surgimento da planta à superfície do solo. 
    Depois de adulta, tolera grandes variações anuais de temperatura e suporta bem o calor. Mas é muito sensível a geadas. Experiências de plantio demonstraram sua preferência por temperaturas elevadas. 

Plantio 
    As mudas são obtidas por meio de sementes e levam de seis a oito semanas para atingirem o desenvolvimento necessário para plantio no campo. As mudas são preparadas em sacos de polietileno pretos, com furos do meio para baixo, para escoamento da água. Os sacos com 45 cm de altura e 15 cm de diâmetro são enchidos até 5 cm da superfície com uma mistura de terra, areia grossa e esterco, em partes iguais. Em cada saquinho vai uma semente, a cerca de 2 em de profundidade, irrigando-se em seguida até a terra ficar bem molhada. Em vinte dias as sementes germinarão. As mudas darão plantas masculinas e femininas, mas só se vai saber quais são masculinas ou femininas cerca de dois anos depois, quando elas derem flores. O bom rendimento exige uma só planta masculina para dez femininas (outros recomendam uma masculina para seis femininas). O espaçamento aconselhado para o plantio é de 3,50 m entre linhas e 1,50 m entre plantas, mas, como será necessário fazer o desbaste quando o sexo das plantas for identifica- do, retirando-se o excesso de plantas masculinas, é necessário colocar maior número de mudas nas linhas, num total de 3 800 a 4 000 mudas por hectare. A Secretaria da Agricultura do Pará recomenda o espaçamento de 2,40 a 4,30 m entre as linhas e 0,30 a 1,50 m entre as plantas. Na Califórnia  a recomendação é de 3,00 m entre linhas e 1,20 a 1,50 m entre as plantas, com seis fêmeas para cada árvore macho, num total de cerca de 1850 plantas fêmeas por hectare. A forma recomendada de conseguir esse espaçamento é sempre plantar numa densidade maior e, quando as plantas derem flores retirar 80 a 90% das masculinas. 
    Em Israel já se desenvolveu um método de enxertia de forma que é possível plantar as muda; no espaçamento adequado, sabendo-se seu sexo de antemão. As plantas femininas têm pequenas inflorescências da mesma cor das folhas novas e surgem nas axilas das plantas, em nós alternados, uma em cada nó. As plantas masculinas dão flores visíveis, com pólen amarelado. A polinização é feita principalmente pelo vento no fim do inverno e inicio da primavera. Apesar de não precisar de muita água a planta responde bem a irrigações temporárias. Durante as primeiras semanas depois do plantio são recomendadas irrigações pequenas e frequentes. No seu local de origem, a jojoba frutifica e amadurece em média dois meses depois da fecundação das flores. No nordeste brasileiro chegou-se a 60 ou 70 dias, da fecundação ao amadurecimento. O plantio pode ser feito também por semeio direto com os mesmos critérios de espaçamento. E a época ideal é o fim da estação chuvosa. 

Tratos culturais 
    Recomendam-se capinas para combater as invasoras. A jojoba é pouco sensível às doenças mas sente a insuficiência de oxigênio e a má drenagem do solo, que podem causar algumas doenças ou fungos nas raízes. 

Colheita 
    Quando o fruto está passando do verde para o castanho-escuro é sinal de que está maduro, atingiu o ponto de colheita. O fruto é uma cápsula que pode conter de uma a três sementes, com formato e tamanho de uma azeitona. O peso médio de cada semente é de 0.5 g, mas pode variar de 0,2 a 2.2 g. Logo no 3° ou 4° ano já se consegue produção comercial, e não é difícil conseguir uma produtividade de 3-5 t/ha de sementes no 5° ano. Na Califórnia. a produtividade média da jojoba numa plantação foi de 1,76 kg por planta de seis anos e 2,38 kg por arbusto de doze anos. E a tendência é de que a produção aumente à medida que a planta envelhece, Arbustos de 22 a 25 anos chegaram a dar 15 kg de sementes. As sementes podem ser vendidas descascadas, limpas e secas (beneficiadas) ou apenas colhidas. Pode-se também extrair o seu óleo, com equipamento especial. 

Usos do óleo de jojoba 
    Os apaches já usavam a jojoba para o tratamento de feridas de guerra, problemas estomacais e restauração dos cabelos. Na baixa Califórnia (México), a jojoba era usada pelos índios no tratamento dos rins, para facilitar partos, para feridas e mesmo como remédio para câncer. A jojoba era utilizada também para fazer bebidas e pão. O óleo de jojoba é um lubrificante natural de qualidade excelente, não tóxico e sem odor, bom portanto para uso em cosméticos, lubrificantes, drogas e muitos outros produtos. E o mais eficiente agente conhecido para a produção de penicilina e tetraciclina. Depois de extraído, o que sobra da semente pode ser usado como alimento rico em proteínas (26 a 32%), carboidratos e fibras. O óleo de jojoba penetra na pele e em metais mais profundamente do que qualquer outro óleo. Suas qualidades como super lubrificante (foi testado em motores, funcionando até 80000 km sem necessidade de trocas) lhe dão as características necessárias para substituir o óleo de baleia usado, por exemplo, em transformadores de alta voltagem, que exigem lubrificantes capazes de suportar temperaturas elevadas. Como cera líquida, o óleo de jojoba pode ser utilizado para vários fins, além de lubrificação (ou como aditivo em lubrificantes): cosméticos (xampus, sabonetes, cremes faciais, bronzeadores, etc.), na indústria farmacêutica (cápsula para remédios, estabilizador de penicilina, inibidor do bacilo da tuberculose, etc.), na alimentação (óleo de cozinha aditivo de baixa caloria para óleo de salada), em outras indústrias (linóleo, tinta de impressão, vernizes e goma de mascar) e em álcool e ácidos, derivados (preparação de desinfetantes, detergentes, resinas, plastificação, fibras, anticorrosivos e bases para cremes e ungüentos). Como cera hidrogenada (sólida), serve para a produção de pasta polidora de assoalho, móveis e automóveis; cobertura de proteção em frutas e outros alimentos; cosméticos (batons); velas e várias outras coisas, inclusive como substituto para a cera de carnaúba. Além do óleo, pode-se aproveitar a casca das sementes como cobertura morta; o arbusto, como pasta para bovinos, caprinos e ovinos; e o farelo, rico em proteínas, para alimentação animal, e até, eventualmente, para o consumo humano. 

Maiores informações - Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semi-Árido (CPATSA), Embrapa de Brasília e Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará.

Fotos
Jojoba
Plantio de Jojoba

Girassol

    O girassol (Helianthus annuus L.), originário da América do Norte, é a terceira principal fonte de óleos vegetais do mundo, só superado pela soja e pelo dendê. Os principais produtores são a União Soviética, Estados Unidos, Argentina e Romênia. Cultivado inicialmente no Peru, foi levado para a Europa, onde era visto mais como uma planta ornamental. O óleo, cujo aproveitamento começou na Rússia do século XVIII, é indicado pelos médicos nas dietas do colesterol. As sementes de girassol dão, em média, 40% de óleo, 40% de farelo (que serve para alimentação animal) e 20% de cascas, que pode ser usada como combustível, como cama de gado ou de aves, ou ainda empregada na indústria de compensados. 
Girassol - Helianthus annus l.    As sementes podem também servir diretamente para a alimentação humana, e de animais. A flor e o caule podem ser utilizados na alimentação animal ou deixados no campo, para suprir o solo de matéria orgânica e nutrientes. A cultura no Brasil vem crescendo no Rio Grande do Sul, onde a colheita ocorre na entressafra da soja. É uma boa opção para os agricultores, que colhem em média 1300 kg/ha de sementes de girassol.        
    Outros estados que cultivam o girassol são Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, ocorrendo alguns plantios esporádicos em Minas Gerais. 

Clima e Solo 
    O girassol é mais resistente aos períodos frios que o milho. Para a germinação, requer temperaturas superiores a 5°C e durante a floração, frio intenso pode diminuir a produtividade. Ventos fortes, principalmente a partir do período que precede o amadurecimento, também afetam a produção. Temperaturas altas diminuem o período de desenvolvimento da planta e baixam em cerca de 5% o teor de óleo. Mas, havendo umidade suficiente, a planta pode tolerar temperaturas superiores a 40ºC. Os solos devem ser profundos, de preferência de textura média, e não arenosos nem encharcados. O seu consumo de nitrogênio, fósforo e potássio é alto, e deve ser suprido em caso de deficiência. O girassol não é muito sensível à acidez, desenvolvendo-se bem em solo com pH 5,1. 

Variedades 
    O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) recomenda, para a produção de óleo, a IAC-anhandy; e a Uruguai para alimentação de pássaros.  Outras variedades recomendadas: cordobez, conti GH 7833, precoz fav, conti GH 8133 e URL III. 

Época de plantio 
    Como cultura de verão, o girassol pode ser semeado de meados de setembro ao final de dezembro. Como alternativa de outono que tem a vantagem de aproveitar o efeito residual dos fertilizantes, de cobrir o solo com uma espécie que compete com as invasoras e de obter uma renda extra, numa época em que a terra estaria desocupada, o plantio deve ser feito logo após uma cultura de verão (soja, milho ou feijão). Com o milho e o feijão, aliás, o girassol, utilizado como planta companheira, protege essas culturas, impedindo a invasão de lagartas, Mas ele impede o crescimento da batata e da ervilha. No norte e oeste do Paraná, em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, deve ser semeado até o final de fevereiro ou, no máximo, até 15 de março, evitando que o florescimento e a maturação - estágios mais sensíveis à baixa temperatura - ocorram em época sujeita a geadas. Em qualquer outro lugar, esse fator deve ser levado em conta, sabendo-se que o ciclo do girassol é de 100 a 120 dias. Alguns produtores gaúchos estão plantando antes do início da primavera, em agosto ou começo de setembro, para plantar milho depois da colheita, vindo a seguir trigo e soja, conseguindo-se então quatro safras (girassol, milho, trigo e soja) em 22 meses. A rotação pode ser feita também com algodão, sorgo e arroz. Na rotação com leguminosas a produção é maior, mas os cereais têm a vantagem de ser praticamente imunes às doenças do girassol. 

Semeaduras e espaçamento 
    A semeadura pode ser feita com o uso da se- meadeira de milho, bastando mudar as placas distribuidoras, ou com a do trigo. tapando-se alguns furos para obter a distância adequada. A profundidade deve ser de aproximadamente 4 cm. O espaçamento deve ser de 40 cm entre as plantas e de 80 cm entre as linhas, o que dá aproximadamente 14 kg/ha de sementes. Passados 20 dias de plantio, quando as plantas de verão têm 15 cm, fazer o desbaste, deixando uma ou duas plantas por cova (plantio normal) ou por touceira (plantio mecanizado), o que dá cerca de 40 000 a 50 000 plantas/ha. 

Tratos culturais 
    Apesar de competir bem com as ervas invasoras, principal- mente no verão, as gramíneas podem pre- judicar a produção, abafando a planta nas primeiras duas semanas. Podem ser necessárias até duas capinas superficiais, em tempo seco e com alta temperatura. 

Pragas e doenças 
    Uma praga importante é a formiga cortadeira, mas o inseto que mais ataca o girassol no Brasil é a lagarta, que se alimenta de folhas. É uma lagarta preta com manchas alaranjadas, ou totalmente alaranjada, e inicia o ataque pelas bordas do campo, progredindo para o interior. Pode ser combatida com lagarticidas biológicos, à base de Bacillus thuringiensis. Esses inseticidas são comercializados sob as marcas Dipel e Thuricide. Os inseticidas comuns matam também os insetos polinizadores e devem ser evitados. As abelhas - 80 a 90% de Apis metlifera - são imprescindíveis para a polinização. Só com insetos polinizadores o girassol produz sementes granadas. Aliás, 1 ha de girassol produz de 20 a 40 kg de mel. Entre as principais doenças do girassol estão a podridão-de-macrophomina. A mancha-de-aíternaria pode ser evitada com a utilização de sementes sadias e a rotação de áreas. Não é aconselhável plantar girassol dois anos seguidos na mesma área, pois os riscos de doenças são grandes. A ferrugem pode ser evitada com a escolha de espécies mais resistentes, como as geradas por sementes vindas da Argentina, que, no entanto, produzem menos óleo que as da União Soviética. A podridão-de-macrophomina é combatida com práticas culturais que retém umidade no solo, ou mesmo com irrigação, As outras doenças podem ser evitadas basicamente com a seleção de sementes não contaminadas e com o rodízio de culturas.

Colheita e armazenamento 
    A colheita manual teve ser feita quando a flor apresentar uma coloração castanho-clara. Cortam-se as flores com tesoura de podar ou facão ou, então, se os grãos estiverem totalmente maduros, dobrando e torcendo os talos da planta. Quando a flor estiver seca, é separada e levada para o local de debulha. Pode-se também utilizar trilhadeira. O armazenamento deve ser feito em local seco e bem ventilado ou, se possível, em câmara fria (l0°C). As sementes devem ter de-5 a 9% de umidade e ser expurgadas para evitar ataque de carunchos.  

Rendimento 
    O rendimento, no Brasil, ainda está bem abaixo da média internacional. Só experimentalmente se atinge a média de 3 500 kg/ha. Normalmente, ob-têm-se de 1500 a 2 220 kg/ha.

Fotos
Plantação de girassol
Sementes de girassol

Dendê

    O dendezeiro (Elaecis guineensis L.) é uma palmeira originária da África, trazida para o Brasil pelos escravos, no século XVI, que se adaptou muito bem ao clima tropical úmido do litoral baiano. Seu principal produto é o óleo extraído do fruto (o óleo de palma), que a população brasileira acostumou-se a identificar com a culinária baiana. O dendê, uma das maiores fontes naturais de vitamina A, não serve apenas para isso. É considerado um dos mais perfeitos substitutos para o diesel, embora muito mais caro. Boa parte da produção é destinada ao uso industrial: para a fabricação de margarina (60 a 70% da produção mundial tem esse fim) e também na produção de velas, maionese, biscoitos, sorvetes, glicerina, pomadas e de certos tipos de aço. Sua produtividade é de 20 000 a 30 000 kg/ha, do qual se extrai 23% de óleo, ou seja, cerca de 5 000 L de óleo, (enquanto a soja dá 2500 kg de grãos, que rendem 500 kg/ha de óleo). Nenhum óleo alimentício alcança a produtividade do dendê: o de amendoim chega a 1200 kg/ha, o de oliva a 2 000 kg/ha. E o preço no mercado internacional é superior a 600 dólares por tonelada, o que significa que em 1 ha, só em óleo, conseguem-se 3 000 dólares por ano. 
Dendê - Elaecis guineensis    A renda do produtor é no mínimo 30% desse valor. segundo o agrônomo Édson Barcellos, coordenador do Programa Nacional de Pesquisa do Dendê, que considera essa cultura a melhor opção para a Amazônia. As vantagens não acabam aí: além de 230 kg de óleo, que saem da polpa do fruto, de 1 t de dendê obtêm-se também mais 30 kg de um óleo de palmiste, mais fino e mais caro que o próprio óleo de dendê; 30 kg de uma torta com 19% de proteínas, usada para ração e adubo; 65 kg de casca de amêndoa, para a fabricação de carvão ativado e fibra de freio. Sobram ainda as fibras e os cachos vazios, que servem como fonte de energia para a produção de óleo. Por fim, as cinzas resultantes são um adubo rico em potássio. 

Possibilidades no Brasil 
    A produção brasileira é muito pequena, de umas 20000 t anuais, e grande parte dos nossos dendezeiros são subespontâneos - nascem e crescem quase sem nenhum cuidado. Só recentemente procuram-se selecionar as áreas mais aptas, e implantar ou incentivar a implantação de dendezais por particulares. Assim, sabe-se que há na Bahia 2300 ha de áreas aptas para a produção de dendê e, na Amazônia, 50 milhões de hectares. Com 20 ou 30% dessa área plantada seria possível substituir todo o óleo diesel consumido no Brasil pelo de dendê. Alguns projetos estão sendo desenvolvidos na Amazônia, entre eles um financiado pelo Banco Mundial e executado pelo Estado do Amazonas, em Tefé, que prevê a entrega de 7 a 8 ha de dendezeiros em produção, por família. No Pará, que hoje produz 60% do dendê do Brasil (os 40% restantes são produzidos na Bania), há grandes empresas que se dedicam a essa cultura, como a Dendê do Pará S.A. (Denpasa), e ao mesmo tempo pequenos produtores, muitos deles já não tão pequenos: começaram com 7 ha (o que pode ser explorado por um casal com duas crianças acima de dez anos) e agora chegam a ter até 300 ha. Quase todos eles são da colônia japonesa, antigos plantadores de pimenta-do-reino. 

Problemas 
    Algumas dificuldades ainda existentes para a cultura do dendezeiro são o alto custo de sua implantação, a dependência da semente importada e a falta de tradição. Acontece que o dendê colhido tem de ser processado em 24 horas para não se deteriorar. Como ele não pode ser transportado a grandes distâncias, é necessário haver uma usina dentro da área produtora ou muito próxima. Com toda a infraestrutura necessária (usina para beneficiamento, casas para trabalhadores, máquinas etc.) cada hectare implantado cus- ta cerca de 1200 OTNs na Amazônia ocidental, 1000 OTNs na região de Manaus e 850 OTNs na região de Belém. A questão da importação de sementes (uma OTN compra dez a doze sementes) pode ser superada com pesquisas, que vêm sendo feitas com apoio da Embrapa. Estuda-se a produção de sementes híbridas com "caiaué" (Elaeis oleifera Cortes), uma espécie natural da Amazônia, produtora de um óleo excelente, resistente a doenças e que não cresce tanto quanto o dendezeiro, facilitando o trabalho de colheita. 
   O dendezeiro pode produzir até os 200 anos de idade, mas depois do 25 ano a colheita toma-se difícil, pois a palmeira cresce de 40 a 50 cm/ano (em 15 anos tem 7 m de altura) e um cacho de dendê pesa em média 25 kg. 

Variedades 
    Existem três que se podem distinguir pela espessura da casca da semente (coquinho ou amêndoa): dura, pisífera e tenera. A dura tem a casca com 2 a 6 mm de espessura, com fibras dispersas na polpa. A pisífera não tem casca entre a polpa e a amêndoa e não serve para a fabricação do dendê. A tenera é resultante do cruzamento da dura com a pisffera, tem casca de 1 a 2,5 mm de espessura e, por causa da grande quantidade de polpa e óleo, é a preferida para plantações comerciais. 

Clima e solo 
    O clima ideal para a produção do dendê é o de temperatura média mensal entre 25 e 28°C, mínima nunca inferior a 14°C, insolação bem distribuída, acima de 1500 horas anuais, e. chuvas acima de 2 000 mm/ano, bem distribuídas e sem períodos de estiagem (no máximo três meses com menos de 100 mm de chuvas). O dendê se desenvolve bem em vários tipos de solos mas evolui melhor nos profundos, em tomo de 1,50 m, ricos em húmus e elementos minerais, com pH 4,5 a 6,0, sílico-argilosos, bem drenados e, de preferência, planos ou ligeiramente ondulados. 

Produção de mudas 
    A germinação das sementes do dendezeiro demora de oito a dez meses e é muito irregular: no máximo, 60% das sementes germinam. O método mais utilizado para a germinação consiste em colocar as sementes em sacos plásticos transparentes, bem fechados, que são levados para uma sala com temperatura controlada de 38,5°C, variando no máximo 1° C, por um período de oitenta dias. Daí, vão para outros sacos plásticos, bem fechados, à temperatura de 25 a 27°C, à sombra. Uns vinte dias depois as sementes começam a germinar, Então retiram-se periodicamente as sementes que vão germinando. As sementes germinadas passam em seguida por uma fase de pré-viveiro que dura de três a quatro meses, colocadas em saquinhos de 15 x 15 em, com 1 kg de terra, mantidos em local sombreado, recebendo adubos periodicamente. Depois de eliminar as plantas defeituosas (5 a 10%), transferem-se as outras para sacos plásticos de 40 x 40 cm, com mais ou menos 2 a 3 kg de terra, colocados no campo em pleno sol, onde ficam entre oito e doze meses. A muda estará pronta para o plantio definitivo com cerca de 60 cm de altura e dez a doze folhas. De 220 sementes, conseguem-se em média 150 mudas boas, pois a seleção deve ser rigorosa, já que a planta vai produzir comercialmente de 20 a 25 anos. 

Plantio 
    O plantio deve ser feito de preferência em época bem chuvosa, com espaçamento de 9 x 9 m em triângulo, o que dá 143 plantas por hectare. Deve-se sempre plantar uma leguminosa de cobertura, para conservação do solo, controle de invasoras, fixação de nitrogênio e reciclagem de nutrientes. A leguminosa mais usada é a puerária, porém ela precisa ser mantida afastada do dendezeiro, porque é uma planta agressiva que se enrola no dendê, sendo necessários até nove coroamentos (limpezas do solo em torno do caule) por ano para evitar que isso aconteça. 

Consorciação 
    O Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido (CPA- TU), da Embrapa, no Pará, desenvolveu de 1981 a 1983 uma experiência de consorciação de milho/feijão-de-corda (caupi) num plantio de dendê.     
    O espaçamento do dendê foi o tradicional, de 9 x 9 m, em triângulos, o que dá 7,80 m entre uma rua e outra. Dois meses depois do plantio dos dendezeiros, plantaram-se, em meados de junho, onze ruas de feijão-de-corda, com espaçamento de 50 cm entre as linhas e 30 cm entre as plantas, com duas ou três sementes por cova. Isso no meio de cada rua de dendê. Foram gastos 35 kg/ha de semente. Em dezembro, depois da colheita, o material verde foi incorporado ao solo e, no início do ano seguinte, plantou-se o milho, em cinco fileiras com 30 cm de espaçamento, entre as fileiras de dendê, à distância de 1,90 m dos dendezeiros. Colhido o milho, plantou-se novamente o feijão-de-corda, em junho de 1982, agora só em dez linhas. Depois, em 1983, houve mais um plantio de milho em quatro ruas e mais um de feijão-de-corda em oito linhas, em seguida. No primeiro ano o resultado foi baixo, mas nos seguintes houve um excelente desempenho. Nos três plantios de feijão de-corda obteve-se a média de 1 000 kg/ha (os custos de produção foram equivalentes ao preço de 350 kg do feijão), e nos dois de milho a média foi de 3600 kg (o custo por hectare foi equivalente ao preço de 1500 kg). 

Pragas e doenças 
    Durante a fase improdutiva, um dos problemas mais sérios são os ratos-do-mato, que roem a planta, tentando chegar ao palmito, para comer. Normalmente são controlados com iscas comerciais. O dendezeiro pode ser atacado por insetos chamados Rhynchophorus palma rum, transmissores do nematóide causador da doença anel-vermelho, por lagartas-de-fogo, brocas e outras pragas. 

Colheita 
    A partir dos 3 anos, o dendezeiro começa a produzir. No quarto ano, produz em média 5 t/ha cachos (750 kg de óleo); no quinto ano, a produção de cachos é de 10 t/ha (1800 kg de óleo); no sexto ano é de 15 t de cachos (3 000 kg de óleo); no sétimo ano, 20 t (4 200 kg de óleo) e do oitavo ao vigésimo-quinto ano 25 t de dendê (5500 kg de óleo). Depois, a produção vai decrescendo. A colheita é feita durante o ano todo, com algumas variações mensais. No Pará, atinge o pico em maio, quando se colhe 12% da produção. O mês menos produtivo é o de novembro, com 4,5% da produção. Por causa dessa distribuição, o trabalho costuma ser feito por colonos, em caso de grande propriedade, e praticamente nunca por diaristas (bóias-frias), pois o trabalho é contínuo e permite a ocupação da mão-de-obra o ano todo, admitindo também um uso regular do equipamento de beneficiamento. 

Composição nutricional por 100 g 
544 calorias, 1,9 g de proteínas, 82 mg de cálcio, 47 mg de fósforo, 4,5 mg de ferro, 10 166 mmg de vitamina A, 0,20 mg de vitamina B1 0,10 mg de vitamina B2 e 12 mg de vitamina C. 
Óleo de dendê: 
882 calorias, 45 920 mmg de vitamina A.

Fotos
Colheita de dendê
Óleo de dendê

Castanha-do-pará

     A Castanheira (Bertolletia excelsa, H.B. K.), que produz a castanha-do-pará ou castanha-do-brasil, é uma das plantas mais valiosas da floresta amazônica, praticamente toda aproveitável, encontrada no Pará, Mato Grosso, Amazonas, Acre, Maranhão e Rondônia, Roraima e Amapá. Sua castanha, que contém uma amêndoa nutritiva e de grande valor econômico  para a região Norte, é o segundo mais im-portante produto extrativo do Pará, logo depois da madeira. Os castanhais da região de Marabá, no entanto, vêm sendo constantemente depreciados, tendo a produção de castanha sido reduzida em mais de 55% no período de 1978 a 1983, por causa do desrespeito às leis de proteção da planta, ao desmatamento, à falta de fiscalização nas derrubadas e à substituição da cobertura vegetal por lavouras e pastagens, que provocam o desaparecimento dos insetos polinizadores. Temendo o abandono dessa atividade extrativa,como ocorreu com a borracha, a Embrapa vem desenvolvendo métodos de cultivo racional da castanha e já obteve árvores que chegaram a produzir 25 litros de sementes aos 11 anos, enquanto os castanhais nativos com plantas de mais de 50 anos produzem 16 a 55 litros /ha. 

Clima e solo 
    Vegeta em regiões de clima quente e úmido, em terras firmes de mata alta e de solo argiloso ou argilo-silicoso. 

Propagação 
Castanheira    A germinação das sementes ocorre entre doze e dezoito meses depois da semeadura. A Embrapa estudou três processos para preparo de mudas: 
a)sementes com casca, semeadas a uma profundidade de 2 cm de solo composto de uma parte de terra vegetal e uma de serragem curtida. A germinação começa por volta do sexto mês e após dezoito meses obtém-se cerca de 25% de germinação; 
b) as quinas e os pólos germinativos das sementes são esmerilhados. A semeadura é idêntica à do processo anterior.Depois de dezoito meses, obtêm-se 41% de germinação; 
c) a semeadura de amêndoas favorece o surgimento do calículo das sementes. Após o descascamento, as sementes são imersas em solução fungicida, à base de acetato fenilmercúrio, por noventa minutos. Secam à sombra e são semeadas em areia branca. Todos os processos exigem que as sementeiras fiquem suspensas, protegidas com tela contra o ataque de roedores e por rega quinzenal com formicida, para evitar ataque de formiga. A repicagem para sacos plásticos de 17 x 27 cm é feita antes de as plantinhas terem suas folhas abertas. O substrato, composto de duas partes de esterco de gado curtido com oito partes de terra vegetal ou de uma parte de esterco de galinha e nove de terriço, deve estar bem úmido, para evitar a queda da radícula. As mudas são gradativamente expostas ao sol e, no final da adaptação, ficam de quinze a trinta dias a céu aberto. 

Plantio 
    As mudas estão prontas quando atingem 25 cm e têm dezesseis folhas abertas. Aconselha-se destacar a área. As covas, de 40 x 40 x 40 cm, são cheias com mistura de terra vegetal mais 10l de esterco curtido de gado e 50 g de super-fosfato triplo. O espaçamento para consórcio com culturas de ciclo curto ou perene é de 10 x 15 m e com pastagens de 10x 20 m ou de 20 x 20 m. 

Enxertia 
    As mudas recebem enxerto quando atingem de 1 a 2 cm de diâmetro, a 20 cm do solo. As hastes das gemas que formam os "cavaleiros" são retiradas de ramos-guias das matrizes altamente produtivas. O cultivo é formado de pelo menos cinco matrizes, para garantir a produção de frutos. 

Polinização 
    Devem-se deixar faixas de mata ou capoeira, onde os insetos polinizadores podem viver, perto do lugar de cultivo. 

Tratos culturais 
    A roçagem e o coroamento são feitos de dois em dois meses. Em consórcios com pastagens, faz-se apenas o coroamento. Pouco antes da estiagem, é feita uma cobertura morta ou amontoa de restos vegetais em tomo da planta para reter umidade. 

Adubação 
    Nos seis primeiros anos, é aconselhável utilizar a mesma formulação e dosagem para o cultivo da seringueira. 

Pragas 
    As principais são as formigas cortadeiras. 

Poda de formação 
    É necessário eliminar os ramos mais baixos do caule e os das pontas dos ramos para boa formação da copa. 

Produção 
     As castanheiras provenientes de sementes podem iniciar a frutificação aos 8 anos, quando expostas diretamente ao "sol, e as enxertadas aos 3,5 anos, dependendo da posição da gema que lhe deu origem. Por isso, recomenda-se retirar a haste da gema localizada logo abaixo da inflorescência do ano anterior, em matrizes altamente produtivas.

Usos 
    A madeira é usada na indústria de construção civil e naval, para esteios e obras extemas; é boa fonte de celulose. A casca fornece estopa; o fruto é usado como combustível, para de fumar borracha e na confecção de objetos como cofres, farinheiras, vasos, etc; e a amêndoa contidana semente serve para fins alimentícios, sendo denominada "carne vegetal" pela qualidade e a quantidade dos ácidos aminados que contém. O leite da castanha é obtido da mistura de água com castanha ralada, usado em iguarias e no tratamento de manchas da pele. O óleo extraído da amêndoa é utilizado na aviação e no fabrico de sabões finos e cosméticos. Sua composição é semelhante à do óleo de mamão, com teor de ácido esteárico de 8,78%, enquanto o do mamão é de 3%. Do resíduo da extração do óleo obtém-se farinha rica em proteína, que pode ser utilizada em misturas com farinha de trigo para fabricação de pão mais nutritivo ou como ração animal. 

Composição nutricional por 100 g 
    636 calorias,14 g de proteínas, 198 mg de cálcio, 577 mg de fósforo, 3,4 mg de ferro, 7 mmg de vitamina A, 1,09 mg de vitamina B1, 0,12 mg de vitamina B2 e 10 mg de vitamina C. 

Fotos
Castanha-do-pará, Bertolletia excelsa
Castanheira do pará

Babaçu

    A Palmeira de babaçu (Orbignya spp.) é uma planta de grande potencial econômico. De seu fruto, o coco de babaçu, pode-se aproveitar tudo, desde a casca (epicarpo), que dá excelente combustível, até a amêndoa, rica em óleo. A palmeira também é muito aproveitada pela população pobre, especialmente do Maranhão. Os troncos são utilizados para construir as estruturas das casas, e as folhas como teto e paredes. Elas servem também para fazer esteiras, cestos, peneiras, abanos, chapéus, cercas e muitas outras coisas. Por enquanto, a palmeira de babaçu não é cultivada, cresce subespontaneamente no flanco sul da Bacia Amazônica e mais no Maranhão, onde predomina nas matas existentes, que ocupam 37% da área do Estado, no Piauí, Ceará, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais.
    Como outras palmeiras, ela se desenvolve, vencendo as outras plantas, em locais onde há desmatamento, crescendo antes de outras árvores. Na mata virgem, não há condições de predomínio do babaçu. A quantidade ideal de palmeiras de babaçu é de ) 100 a 110 árvores por hectare, mas como sua exploração é feita de maneira meramente extrativa, por lavradores sem terra que dão ao proprietário uma porcentagem da renda obtida, não há nenhum controle ou trato cultural, chegando a haver milhares de palmeiras por hectare, o que faz baixar em muito a produção. Em um levantamento feito pelo Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Umido (CPATU) da Embrapa, verificou-se a existência, em 1/ha, de 969 pindolas (palmeiras com 2 a 5 anos de idade), 21 palmireiros (palmeiras com 6 a 8 anos) e 120 palmeiras adultas (palmeiras que já frutificam, com mais de 8 anos), num total de 1110 palmeiras com 2 anos ou mais. Para cada uma dessas palmeiras com 2 anos ou mais, há duas ou quatro com menos de 2 anos (as chamadas "nascidas"), ou seja, 2 220 a 4 440 por ha. Um coqueiral (ou cocal) com essa densidade só pode apresentar uma produção baixíssirna, além de dificultar até mesmo a entrada de pessoas para a coleta e quebra dos cocos. Mesmo assim, o coco de babaçu é o maior produto extrativo vegetal do Brasil, sem contar as madeiras. A renda total da extração do babaçu é maior, por exemplo, do que a do látex, da erva-mate, da piaçava, da castanha-do-pará, da e carnaúba, do palmito ou da castanha-de-caju, outros produtos extrativos importantes. O grande produtor é o Maranhão, onde o babaçu predomina nos mais de 100 000 km2 de suas matas. O Goiás, o Piauí, Ceará, Bahia, Minas Gerais, Pará e Pernambuco são outros estados produtores. 


Possibilidades 
    Segundo a publicação  Babaçu e a Crise Energética, do CPATU, sediado em Belém (Pará), podem-se  conseguir num cocal desbastado 17 600  kg de coco de babaçu por ha. Desses 17600 kg, 15%, ou 2 640 kg, são de epicarpo (camada externa, casca), que podem ser aproveitados como combustível.
    Segundo pesquisas feitas em 1985, 83%  das propriedades rurais de alguns municípios maranhenses usam o carvão de babaçu como fonte exclusiva de energia. Mas  essa parte do coco de babaçu pode dar  ainda etanol, metanol, coque (carvão para  uso siderúrgico, de qualidade comparável  à dos carvões mineirais), carvão reativado, gases combustíveis, ácido acético e  alcatrão, além da parte fibrosa, que serve  como adubo e ração animal. Do mesocarpo (a polpa que fica entre a casca e o caroço ou castanha), que corresponde a  20% de coco de babaçu, seriam produzidos, em média, 3 520 kg/ha, Essa parte é  farinosa-oleaginosa e dela se extrai um  amido transformável em etanol. Dos  3520 kg de polpa, extraem-se 212 kg  de amido, que produzem 823 kg de eranol, por fermentação. O endocarpo (uma  espécie de caroço, dentro do qual estão as  castanhas) corresponde a 59% do peso total do coco de babaçu, ou seja, 10384  kg/ha. Desse material podem-se extrair  2949 kg de carvão, 125 kg de metileno e  1973 m3 de gás. As amêndoas, de três a  cinco por coco, representam 6% do peso  total, ou seja, 1056 kg/ha, e podem fornecer 580 kg de óleo, atualmente utilizado na indústria de alimentos e outras de  transformação. A torta que sobra da prensagem já foi testada por empresas dos Estados Unidos e da Inglaterra, comprovando-se que é uma excelente matéria-prima  para a produção de mingaus, cremes e  doces, especialmente para a nutrição infantil.

Dificuldades
    Apesar de todas essas  possibidades, a única parte do babaçu  comereializada regularmente ainda é sua  amêndoa, ou seja. apenas 6% do peso do  coco. Apesar de existirem máquinas que  quebram o duríssimo coco de babaçu, isso ainda é feito na maioria das vezes manualmente, pelas cerca de 300 000 famílias que vivem do babaçu no Maranhão.  O processo é duro e arriscado, e feito geralmente por mulheres e crianças. Elas  seguram o coco sobre o fio do machado e  batem várias vezes com um porrete até  abri-lo.
    O auge da colheita ocorre no final  da estação seca, de setembro a dezembro,  quando os homens estão ocupados com o  desmatamento e queima dos locais de roças para plantio, mas o coco pode ser armazenado para a quebra nos meses seguintes. As mulheres e as crianças vão  para os cocais, colhem os cachos que  caem e os quebram lá mesmo ou em casa.  Já há indústrias que compram o coco inteiro, sem quebrar, pagando apenas o preço das amêndoas. Uma pessoa consegue  extrair no máximo 8 kg/dia amêndoas,  mas como as mulheres fazem isso nos intervalos de seu trabalho doméstico, produzem de 3 a 4 kg/dia. O preço varia  muito e, em  no pico da coleta,  poucas conseguiam ter uma renda diária  de um terço de OTN. A comercialização  é outro problema. Podem existir vários  intermediários entre o "quebrador" e a  indústria. Em média, 70% da renda ficam  com o quebrador, 11,5% com o "quitandeiro" (que compra do quebrador e revende para a indústria) e 18,5% com o  proprietário da terra. Para completar os  problemas, a palmeira de babaçu leva até  doze anos para atingir a maturidade total,  sendo desvantajosa em relação ao dendê,  por exemplo, que pode produzir mais de  25 000 kg/ha de coco em três ou quatro  anos. Por isso, além de não plantar o babaçu, os proprietários de terras não lhe  dão nenhum trato, não raleiam os cocais e  em alguns lugares estão até mesmo derrubando as palmeiras, que dão lugar a pastagens.

Usos domésticos 
    Enquanto o aproveitamento industrial completo do coco de  babaçu não vem, as populações que vivem dele o utilizam como podem, além  das formas já citadas (carvão, óleo, trançados de palha e construção de toda a casa). O caule do babaçu, por exemplo,  quando está podre, serve como adubo; se  está em boas condições, serve para fazer  pequenas pontes, bancos e alicerces. E se  a palmeira é jovem (palmiteira), dela se  extraem o palmito e uma seiva que, se  fermentada, produz uma .bebida que chamam de vinho de babaçu. O caule derrubado atrai larvas de besouro que são utilizadas como iscas para a pesca ou fritas e  comidas como petiscos.
    As amêndoas podem ser torradas, piladas (descascadas no  pilão), misturadas com água e coadas,  dando então o 1eite-de-coco usado como  tempero de carne e peixe. Se forem torradas, piladas e cozidas, as amêndoas dâo  65% de um óleo de cozinha usado também para fazer sabão, e o seu resíduo vai  para a alimentação de galinhas.

Composição nutricional por 100 g 
    Amêndoa: 313  calorias, 3,9 g de proteínas, 30 mg de  cálcio, 40 mg de fósforo, 1 mg de ferro,  0,32 mg de vitamina B1 e 0,25 mg de vitamina B2
Óleo: 891 calorias.

Fotos

Azeitona

    A Oliveira (Olea europaea L.) é uma oleácea originária da região mediterrânea, e os frutos comestíveis fornecem o óleo conhecido mundialmente como azeite de oliva. O tronco grosso e tortuoso, com galhos e folhas acinzentados, atinge até 15 m de altura. As flores brancas podem ser ou não hermafroditas. São diversas as variedades de oliveira, umas próprias para a produção de azeitonas, destinadas ao consumo em espécie, e outras mais propícias à produção de azeite. Planta típica de clima subtropical, no Brasil é produzida no Rio Grande do Sul, no Paraná e na cidade mineira de Maria da Fé, onde os técnicos da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) pesquisam seu cultivo há anos. 

Clima e solo
Azeitona, Olea europea    A distribuição das chuvas é importante para uma boa produção, sendo ideais o verão seco e o inverno úmido. A temperatura média anual apropriada varia entre 15 e 20°C, e a mínima não deve ser inferior a 7°C. As geadas leves durante as floradas não afetam a produção, mas os ventos fortes, principal mente durante a fecundação e a maturação, são prejudiciais. Os solos ideais são  de consistência média, frescos e permeáveis, calcários, sílico argilosos, areno-argilosos e graníticos. 

Propagação e plantio
    A reprodução  da oliveira é feita por meio de sementes,  estacas ou enxertia. Um método que gera  plantas sadias, por baixo custo, é o de  multiplicação por toletes (pedaços de raízes já adultas), obtendo-se mudas de pé-franco. A planta demora de dez a doze  anos para produzir comercialmente. Esse  método é utilizado em Portugal, Espanha,  Itália e Grécia, onde há muitas matrizes  centenárias que podem fornecer milhares  de toleres sem prejudicar as árvores.
OliveiraEnxertia de oliveira    No Brasil e em outros países de cultura mais  recente, usam-se outros métodos, principalmente de multiplicação por enxertia. O  processo de enxertia da oliveira não é como o de outras plantas, porque a oliveira  recebe os elementos nutritivos e não manda de volta para o porta-enxerto a seiva  elaborada. Então, o porta-enxerto definha  e morre pouco depois de transplantado .  Por isso, a muda enxertada de oliveira  tem de ser enterrada mais fundo que as  outras: o ponto de enxerto deve ficar 10 a  15 cm abaixo do solo. Em um ano, nascem raízes da oliveira que saem do ponto  de enxertia,  enquanto o porta-enxerto.  sem ar e sem luz, morre e desaparece. A  oliveira, que se comporta como parasita  quando enxertada, acaba virando um pé-franco, isto é, como se tivesse sido plantada diretamente no solo e não enxertada. 
     Há vários processos de enxertia, e o que  dá resultados mais rápidos é o murayama,  que faz a oliveira começar a produzir com  2 anos. A produção a nível comercial começa aos 5 ou 6 anos, o que representa  uma economia de cinco ou seis anos em  relação aos outros métodos. O porta-enxerto utilizado é uma planta ornamental  usada para cercas-vivas ou como árvore  de sombra, chamada ligustro (Ligustrum ovarifolium Hassk.) O tipo de enxertia  utilizado é o de garfagem lateral. A estaquia é feita em junho-julho, quando se  colocam as estacas de ligustro, com 40  cm de comprimento, em terreno prepara do, com espaçamento de 100 x 20 cm, ou  em jacá. O ponto de enxertia fica a 6 cm  do solo e o decote do porta-enxerto (o  corte) do cavalo deve ser feito 20 cm  acima do enxerto, com 10 cm de ponteiro  para enxerto. O transplante se faz 1 ano  depois, para covas de 60 x 60 x 60 cm,  de modo que o ponto de enxertia fique 10 cm abaixo do nível do solo, sobrando,  portanto, 10 cm do porta-enxerto (que foi  cortado 20 cm acima do ponto de enxertia) fora do solo. O espaçamento entre as  plantas é 10 x 10 m. Dessa forma, o ligustro continua vegetando junto com a  oliveira e até passando para ela a seiva  bruta. Assim, a oliveira recebe mais "alimento" - uma garantia de sobrevivência. Mas como o porta-enxerto continua  vegetando junto, é preciso fazer desbotas  temporárias para que ele não a domine. 
    Um método, de enxertia mais simples,  embora menos garantido, é o gaúcho, que  consiste em cortar o porta-enxerto 5 cm  acima do solo, em dezembro (as estacas  de ligustro devem ter sido plantadas em  junho ou julho), e fazer-se a enxertia por  garfagem de topo, com ponteiros de 1  ano, cobrindo-se o enxerto com terra. Em  junho ou julho do ano seguinte, transplantam-se as mudas enxertadas para jacás, laminados ou latas, que são depositados à sombra de árvores ou em ripado. Com um ano e meio, quando atingem 50 a 80 cm, as mudas vão para o local definitivo, enterrando o ponto de enxertia de  10 a 15 cm. Com esse método, a oliveira  produz entre 6 a 8 anos, mas podem ocorrer muitas falhas, por morte das mudas  causada por doenças ou pela morte prematura do porta-enxerto, antes que a oliveira tenha se enraizado. O processo paulista é igual ao gaúcho, com a diferença  de que o enxerto é lateral, em T. 

Variedades 
variedades de azeitona    Para produção de azeite,  as melhores são: arbequina, canino, frantoio, maurino e pazzo, para conserva: alto d'oro, ascolana, carmelitana, cuco,  manzanilha, bela-de-espanha, santo agostinha entre outras. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) selecionou a grappolo 541 para a  produção de azeite. 

Consorciação
     É comum o cultivo da  oliveira com outras culturas como o feijão, a fava, a ervilha, a soja, o amendoim, o milho, o tomate, a batata e o trigo, que devem ficar afastados 1 m dos  pés de oliveira. 




Polinização
    Convém misturar, em  um mesmo pomar, três ou mais variedades para haver polinização. São aconselháveis como polinizadoras a Manzanella  e a arbequina. 

Tratos culturais
   Resumem-se em limpeza de terreno, adubações pra corrigi-la  e podas de formação e de frutificação. 

Pragas e doenças
    A praga que mais  ataca o oliveiral é a cochonilha; as outras  são a galha-dos-troncos, moscas e brocas.  As doenças são a tuberculose, provocada  por uma bactéria que ataca os caules, a  fumagina, ocasionada por um fungo que  ataca folhas, talos e caules, e o oídio. 

Colheita e rendimento 
Azeitona verde    A colheita é  feita manualmente. Quando a produção se  destina ao preparo de conservas, as azeitonas são colhidas antes de começarem a enegrecer, para obtenção de azeitonas verdes; e completamente maduras, para azeitonas pretas. O azeite de cor verde-claro e de fraca acidez exige azeitonas colhidas antes da maturação; para azeite de cor amarelada e mais ácido, usam-se azeitonas bem maduras. Em escala comercial, as oliveiras só começam a produzir cinco anos após o plantio. Há plantas que chegam a produzir, anualmente,200 kg de azeitonas.
    A oliveira é uma árvore milenar, com longevidade comprovada pelas árvores do Horto das Oliveiras, em Jerusalém, que têm mais de 2000 anos. A grappolo  541 produz, em média, 20 kg/planta/ano. Portanto, com o plantio de 100 plantas/ha, a produção será de 2 t/h/ano.

A conserva
Azeitona em conserva
    A azeitona, quando colhida, é adstringente e amarga. Um método caseiro para fazer conserva de azeitonas verdes consiste em colhê-las quando estão bem desenvolvidas, começando a mudar de cor, e proceder da seguinte forma: a) guardá-las a recipiente de água bem limpa durante 40 ou 50 dias, renovando-se a água diariamente; b) colocar as azeitonas durante 9 dias em salmoura preparada com 35 g de sal em água; c) colocar, em seguida, durante 17 dias, em salmoura com 80 g/l de sal em água; d) a partir daí, deixar por tempo indeterminado (até quando se quiser usarias) em salmoura com 100 g/l de sal em água. 

Composição nutricional por 100 g
    123 calorias, 1,3 g de proteínas, 73 mg de cálcio, 17rng de fósforo,  1,6 mg de ferro, 20 mmg de vitamina A, 0,2 mg de vitamina B1 e 0, 12 mg de vitamina B2.

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