A Palmeira de babaçu (Orbignya spp.) é uma planta de grande potencial econômico. De seu fruto, o coco de babaçu, pode-se aproveitar tudo, desde a casca (epicarpo), que dá excelente combustível, até a amêndoa, rica em óleo. A palmeira também é muito aproveitada pela população pobre, especialmente do Maranhão. Os troncos são utilizados para construir as estruturas das casas, e as folhas como teto e paredes. Elas servem também para fazer esteiras, cestos, peneiras, abanos, chapéus, cercas e muitas outras coisas. Por enquanto, a palmeira de babaçu não é cultivada, cresce subespontaneamente no flanco sul da Bacia Amazônica e mais no Maranhão, onde predomina nas matas existentes, que ocupam 37% da área do Estado, no Piauí, Ceará, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais.
Como outras palmeiras, ela se desenvolve, vencendo as outras plantas, em locais onde há desmatamento, crescendo antes de outras árvores. Na mata virgem, não há condições de predomínio do babaçu. A quantidade ideal de palmeiras de babaçu é de ) 100 a 110 árvores por hectare, mas como sua exploração é feita de maneira meramente extrativa, por lavradores sem terra que dão ao proprietário uma porcentagem da renda obtida, não há nenhum controle ou trato cultural, chegando a haver milhares de palmeiras por hectare, o que faz baixar em muito a produção. Em um levantamento feito pelo Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Umido (CPATU) da Embrapa, verificou-se a existência, em 1/ha, de 969 pindolas (palmeiras com 2 a 5 anos de idade), 21 palmireiros (palmeiras com 6 a 8 anos) e 120 palmeiras adultas (palmeiras que já frutificam, com mais de 8 anos), num total de 1110 palmeiras com 2 anos ou mais. Para cada uma dessas palmeiras com 2 anos ou mais, há duas ou quatro com menos de 2 anos (as chamadas "nascidas"), ou seja, 2 220 a 4 440 por ha. Um coqueiral (ou cocal) com essa densidade só pode apresentar uma produção baixíssirna, além de dificultar até mesmo a entrada de pessoas para a coleta e quebra dos cocos. Mesmo assim, o coco de babaçu é o maior produto extrativo vegetal do Brasil, sem contar as madeiras. A renda total da extração do babaçu é maior, por exemplo, do que a do látex, da erva-mate, da piaçava, da castanha-do-pará, da e carnaúba, do palmito ou da castanha-de-caju, outros produtos extrativos importantes. O grande produtor é o Maranhão, onde o babaçu predomina nos mais de 100 000 km2 de suas matas. O Goiás, o Piauí, Ceará, Bahia, Minas Gerais, Pará e Pernambuco são outros estados produtores.
Possibilidades
Segundo a publicação Babaçu e a Crise Energética, do CPATU, sediado em Belém (Pará), podem-se conseguir num cocal desbastado 17 600 kg de coco de babaçu por ha. Desses 17600 kg, 15%, ou 2 640 kg, são de epicarpo (camada externa, casca), que podem ser aproveitados como combustível.
Segundo pesquisas feitas em 1985, 83% das propriedades rurais de alguns municípios maranhenses usam o carvão de babaçu como fonte exclusiva de energia. Mas essa parte do coco de babaçu pode dar ainda etanol, metanol, coque (carvão para uso siderúrgico, de qualidade comparável à dos carvões mineirais), carvão reativado, gases combustíveis, ácido acético e alcatrão, além da parte fibrosa, que serve como adubo e ração animal. Do mesocarpo (a polpa que fica entre a casca e o caroço ou castanha), que corresponde a 20% de coco de babaçu, seriam produzidos, em média, 3 520 kg/ha, Essa parte é farinosa-oleaginosa e dela se extrai um amido transformável em etanol. Dos 3520 kg de polpa, extraem-se 212 kg de amido, que produzem 823 kg de eranol, por fermentação. O endocarpo (uma espécie de caroço, dentro do qual estão as castanhas) corresponde a 59% do peso total do coco de babaçu, ou seja, 10384 kg/ha. Desse material podem-se extrair 2949 kg de carvão, 125 kg de metileno e 1973 m3 de gás. As amêndoas, de três a cinco por coco, representam 6% do peso total, ou seja, 1056 kg/ha, e podem fornecer 580 kg de óleo, atualmente utilizado na indústria de alimentos e outras de transformação. A torta que sobra da prensagem já foi testada por empresas dos Estados Unidos e da Inglaterra, comprovando-se que é uma excelente matéria-prima para a produção de mingaus, cremes e doces, especialmente para a nutrição infantil.
Dificuldades
Apesar de todas essas possibidades, a única parte do babaçu comereializada regularmente ainda é sua amêndoa, ou seja. apenas 6% do peso do coco. Apesar de existirem máquinas que quebram o duríssimo coco de babaçu, isso ainda é feito na maioria das vezes manualmente, pelas cerca de 300 000 famílias que vivem do babaçu no Maranhão. O processo é duro e arriscado, e feito geralmente por mulheres e crianças. Elas seguram o coco sobre o fio do machado e batem várias vezes com um porrete até abri-lo.
O auge da colheita ocorre no final da estação seca, de setembro a dezembro, quando os homens estão ocupados com o desmatamento e queima dos locais de roças para plantio, mas o coco pode ser armazenado para a quebra nos meses seguintes. As mulheres e as crianças vão para os cocais, colhem os cachos que caem e os quebram lá mesmo ou em casa. Já há indústrias que compram o coco inteiro, sem quebrar, pagando apenas o preço das amêndoas. Uma pessoa consegue extrair no máximo 8 kg/dia amêndoas, mas como as mulheres fazem isso nos intervalos de seu trabalho doméstico, produzem de 3 a 4 kg/dia. O preço varia muito e, em no pico da coleta, poucas conseguiam ter uma renda diária de um terço de OTN. A comercialização é outro problema. Podem existir vários intermediários entre o "quebrador" e a indústria. Em média, 70% da renda ficam com o quebrador, 11,5% com o "quitandeiro" (que compra do quebrador e revende para a indústria) e 18,5% com o proprietário da terra. Para completar os problemas, a palmeira de babaçu leva até doze anos para atingir a maturidade total, sendo desvantajosa em relação ao dendê, por exemplo, que pode produzir mais de 25 000 kg/ha de coco em três ou quatro anos. Por isso, além de não plantar o babaçu, os proprietários de terras não lhe dão nenhum trato, não raleiam os cocais e em alguns lugares estão até mesmo derrubando as palmeiras, que dão lugar a pastagens.
Usos domésticos
Enquanto o aproveitamento industrial completo do coco de babaçu não vem, as populações que vivem dele o utilizam como podem, além das formas já citadas (carvão, óleo, trançados de palha e construção de toda a casa). O caule do babaçu, por exemplo, quando está podre, serve como adubo; se está em boas condições, serve para fazer pequenas pontes, bancos e alicerces. E se a palmeira é jovem (palmiteira), dela se extraem o palmito e uma seiva que, se fermentada, produz uma .bebida que chamam de vinho de babaçu. O caule derrubado atrai larvas de besouro que são utilizadas como iscas para a pesca ou fritas e comidas como petiscos.
As amêndoas podem ser torradas, piladas (descascadas no pilão), misturadas com água e coadas, dando então o 1eite-de-coco usado como tempero de carne e peixe. Se forem torradas, piladas e cozidas, as amêndoas dâo 65% de um óleo de cozinha usado também para fazer sabão, e o seu resíduo vai para a alimentação de galinhas.
Composição nutricional por 100 g
Amêndoa: 313 calorias, 3,9 g de proteínas, 30 mg de cálcio, 40 mg de fósforo, 1 mg de ferro, 0,32 mg de vitamina B1 e 0,25 mg de vitamina B2
Óleo: 891 calorias.


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