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Priprioca

    A Priprioca ou Piripirioca (Cyperus articulatus) é uma erva Amazônica com propriedades aromáticas e medicinais, tem formato de capim com flores miúdas nas pontas, sua raiz libera uma fragrância fresco amadeirada bastante apreciada, sendo uma das principais ervas aromáticas vendidas na região norte do Brasil, onde é utilizada em banhos e fragrâncias domesticas.
O óleo da Priprioca é extraído da raiz, e está nesta em uma quantidade muito pequena.

Cultivo
Preparação do solo
    É tradicionalmente plantada em áreas de queimada, onde existem cinzas, e em consorcio com a mandioca.
    Para uso comercial a Priprioca deve ser plantada em canteiros de 1,20 m de largura por 0,50 m de comprimento  e as batatinhas de priprioca são plantadas no espaçamento de 0,40 m na linha e 0,40 m entre as linhas, partindo do centro e deixando 0,20 m nas bordas. No sentido do comprimento, o espaçamento é de 0,50 m a 1,0 m entre as leiras, para permitir o tráfego de carrinhos de mão para o transporte das mudas e para facilitar os tratos culturais. Com o crescimento da priprioca, esses espaços vão sendo fechados. Dessa forma, tem-se uma área útil para o plantio de priprioca formada por 80 leiras/ha, com 60 m²/leira, totalizando 4.800 m²/ha de área útil.
Cinco dias antes do preparo das leiras o solo deve ser bem afofado e adubado com esterco de galinha, não se deve usar fertilizantes para não afetar a qualidade do rizoma na fabricação dos perfumes. 

Plantio

    Para facilitar o pegamento deve-se deixar os rizomas de molho por um dia, o ideal é que se plante em época de estação chuvosa (Janeiro-Fevereiro) e os rizomas começam a grelhar 3 dias após o plantio. O espaçamento a ser utilizado é de 40 x 40 centímetros, abre se as covas que devem ser rasas com auxilio de uma vara  e coloca-se os rizomas manualmente. 

Tratos culturais
    A Priprioca é uma erva bastante rustica, deve-se apenas retirar as ervas daninhas com as mãos, pois a enxada pode prejudicar as plantas.

Produtividade
    A Priprioca pode ser colhida a partir de 9 meses com uma produtividade media de 180 kg/leira, chegando a atingir 300 kg leira aos 18 meses.





Referencias:
NICOLI, C. M. L. et al. Aproveitamento da Biodiversidade Amazônica: o caso da priprioca. Belém, PA: Embrapa Amazônia Oriental, Documentos 256, 2006. 25 p.
ZOGHBI, M. G .B.; ANDRADE, E. H. A.; CARREIRA, L. M. M.; OLIVEIRA, J.; MOTA, M. G. C.; CONCEIÇÃO, C. C. C.; ROCHA, A. E. S. Composição química dos óleos essenciais de priprioca (Cyperus articulatus L. e Kyllinga sp.) no Estado do Pará. .
TOLEDO, P. M. Planta aromática brasileira – Priprioca. 
http://naturaekos.com.br/biodiversidade/priprioca/

Aguapé

Aguapé    Aguapé (Eichhornia crassipes) é uma palavra de origem tupi, que significa redondo e chato, e serve de nome para diversas plantas aquáticas flutuantes, com folhas que têm esse formato, parecidas com pratos, destacando-se a que tem o nome científico de Eichhorniacrassipes, chamada também por vários nomes populares, entre eles mururé, pavoá, rainha-da-lagoa, jacinto d'água, orquídea-de-tolo e baronesa. Originário da América do Sul, o aguapé tem uma bela flor azul semelhante a uma orquídea. Em vários lugares, a planta vem sendo apresentada como a solução para os problemas de poluição, já que suas raízes absorvem elementos poluidores da água e parece que se reproduzem com maior velocidade em águas poluídas. Existem cidades brasileiras que usam o aguapé nas estações de tratamento de água destinada ao abastecimento de sua população. Há muito vem sendo utilizado também como alimento de animais (bovinos, suínos, patos etc.) e como adubo. A NASA já demonstrou interesse pela planta, julgando que ela poderá vir a ser a solução para os problemas de fornecimento de proteínas e alimentos para astronautas. Mas, a despeito de todas essas qualidades, o aguapé não é bem visto por alguns técnicos, que o consideram uma das pragas mais temíveis, por causa de sua extraordinária capacidade de reprodução e crescimento, que já provocou o impedimento da navegação no Rio Congo e seus afluentes, na Africa; dificultou a navegação no Mississipi, nos Estados Unidos; é considerado um flagelo na lndonésia, India e Ceilão; e é proibido por lei na Nova Zelândia.
    No Estado de São Paulo, quem não gosta dele são os responsáveis pelas hidrelétricas, pelo menos desde 1978, quando o aguapé tomou conta de mais da metade da represa da Companhia Paulista de Força e Luz (CPPL) , em Americana, dificultando a geração de energia pela sua usina. O aguapé é usado na criação de peixes. Além de servir como alimento, suas raízes são um excelente local de desova para as carpas, por exemplo. 



Reprodução 
   O aguapé se reproduz através de sementes, que continuam aptas à germinação por vários anos, e pelos estolões, que são espécies de cordões umbilicais, mais resistentes às situações adversas que as sementes. Assim, pode resistira falta de condições até que a planta flutuante seja levada para outro lugar pelas águas. As condições mais favoráveis para reprodução são altas temperaturas e poluição. Nesses casos, a planta retira nitrogênio, fósforo e potássio dos elementos poluidores e desenvolve-se em ritmo muito veloz, podendo dobrar de peso a cada doze dias. Colocando-se 10 plantas na água, em condições favoráveis, ao final da estação de crescimento, que dura oito meses, elas serão 650 000. A produção de aguapé chega a 150 t/ha ano ou mais. Na represa de Americana (SP), verificou-se que sua produção atinge 30 kg/m2. Ou seja, se se cobrir 1 ha inteiro de aguapé, pode-se obter de 300 a 500 t de massa verde. Aliás, o aguapé é a planta que tem, a maior capacidade de fotossíntese entre todas as conhecidas. Ou seja, sua capacidade de usar a energia solar para produzir matéria orgânica, através da fixação do gás carbônico do ar, não encontra rival. 

Usos 
   Se é mal visto pelas empresas energéticas e pelos navegadores de rios e lagos, para agricultores o aguapé tem - ou pode ter - muito valor. Além de alimentar os animais domésticos já citados, e outros como o búfalo, coelho, ganso, carpa e peixe-boi, seco e misturado com esterco, que lhe fornece os microrganismos necessários para a fermentação, transforma-se em excelente adubo. Em experiência promovida pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), em Americana (SP), obteve-se como resultado uma produção de hortaliças de 400 g/m2, sem  adubação, e de 2,5 kg/m2, incorporando-se o composto de aguapé e esterco. Outra opção é a produção de biogás. Colocando-se num biodigestor 80 kg de uma mistura de água e aguapé fresco triturado, 25 dias depois obtêm-se 32 m3 de gás, segundo experiência realizada pela CPFL. Como esse método exigiria digestores muito volumosos para usar uma grande quantidade de aguapé para produzir gás, tentou-se outro método - a extração de suco de aguapé, que corresponde a 70% do peso da planta (os restantes 30% são resíduos), o que é duplamente favorável, porque economiza espaço (o suco não precisa ser misturado com água) e não sobram resíduos no digestor. Com 1 t de aguapé fresco, dessa forma, produz-se 32 m3 ) de gás com 65% de metano.
    Segundo cálculos da Companhia Energética de São Paulo (CESP), se a empresa mantivesse 10% das áreas das represas de Americana, Billings, Barra Bonita e Bariri com aguapé, poder-se-ia retirar 14 211 t diárias dessa planta, quantidade suficiente para produzir energia equivalente a 293 000 l de petróleo por dia, ou biogás para alimentar 300 000 residências ou, ainda, gás metano para abastecer 10 000 automóveis, com autonomia de 300km/dia cada. Mais: o aguapé seco tem o mesmo poder calorífico da lenha comum e poderia ser utilizado também como seu substituto.
    O uso de aguapé no tratamento da água é defendido pelos pesquisadores Nelson de Souza Rodrigues e Eneas Salati,  o tratamento convencional não retira da água certos elementos inorgânicos, como arsênico, bário, cádmio, cromo hexa valente, fósforo, mercúrio e urânio. E o próprio cloro, presente na água, se composto com certos elementos orgânicos ou fenois, pode tornar-se prejudicial à saúde. O aguapé seria um eficiente auxiliar nesse tratamento, por absorver os agentes poluidores, reduzir os coliformes em 77% e diminuir os maus odores da água poluída. Em 30 horas, a água poluída submetida à limpeza com aguapés já apresenta condições propícias para a criação de peixes e rãs. Segundo o pesquisador Nelson S, Rodrigues, em 1 ha de superfície de água com aguapé destinado à criação de peixes seria possível obter anualmente 2 000 a 2 500 kg de tilápia, 5 000 a 7 000 kg de tucunaré ou 8 000 a 10000 kg de carpa. Rodrigues dá também uma fórmula para saber se as águas em que há aguapé são poluídas ou não: parte aérea baixa e amarelada, e sistema radicular volumoso, com 70 a 80 cm de comprimento, são indicadores de baixa poluição; parte aérea alta (50 a 70 cm) e sistema radicular curto e pouco volumoso indicam alta poluição. O engenheiro Mário Silva Pinto afirma que é possível industrializar suas fibras. que podem servir para a indústria de tecidos ou para a produção de celulose, a um custo mais baixoq ue o de qualquer madeira. 

O aguapé como alimento humano 
   O aguapé foi tema de tese de mestrado da agrônoma Helena von Ghlen Strano, na Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz, da USP, em Piracicaba. Desde o início, ela descartou a possibilidade de se usar as folhas do aguapé, muito fibrosas, diretamente na alimentação humana. Mas, extraindo-se o suco da massa seca e eliminando sua umidade, ela obteve um pó moído, formando placas de concentrado, com cerca de 50% de proteínas (o dobro da carne de vaca). Como esse pó não tem gosto nem cheiro. Helena julga ser possível seu uso em qualquer alimento, sem modificar o paladar ou aroma. Uma primeira sugestão é usá-la no enriquecimento da farinha de mandioca. Por se tratar de uma planta despoluidora, fez se uma análise para detectar a presença de metais prejudiciais à saúde em suaa folhas. A conclusão é que esses metais, como o mercúrio, ficam retidos nas raízes, que funcionam como um filtro, e não passam para a parte aérea.

Composição por 100 g 
 Folhas verdes: 5,40 calorias. 0,95 g de proteínas, 63 mg de cálcio, 37 mg de fósforo, 18,47 mg de ferro, 223 mg de vitamina A, 0,03 mg de vitamina B1 0,08 mg de vitamina B2 e 16mg de vitamina C.

Fotos
Aguapé

Aguapé

Cultivo de aguapé

Referências:
MUKUNO, D. R. O. et al. Efeito de fatores ambientais na morfologia das plantas de Aguapé. Revista Brasileira de Botânica, v. 8, p. 231-239, 1985.
AVALIAÇÕES FISIOLÓGICAS E BIOQUÍMICAS DE PLANTAS DE AGUAPÉ (Eichhornia crassipes ) CULTIVADAS COM NÍVEIS EXCESSIVOS DE NUTRIENTES1 Physiological and Biochemical Evaluations of Water Hyacinth (Eichhornia crassipes), Cultivated with Excessive Nutrient Levels ALVES, E.2 , CARDOSO, L.R.2 , SCAVRONI, J.3 , L.R., FERREIRA, L.C.3 , BOARO, C.S.F.4 e CATANEO, A.C.5 - ( UNESP - Universidade Estadual Paulista).


 
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