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Mandioca: Conhecendo de A a Z

    A mandioca (Manihot esculenta Crantz), também conhecida por aipim e macaxeira, é originária da América do Sul, onde os índios, especialmente os guaranis, já a cultivavam antes da chegada dos europeus. E um dos principais alimentos de milhões de pessoas de países tropicais inclusive do Brasil, seu maior produtor (30% da produção mundial), ode é cultivada em todo o território, com exceção do sul do Rio Grande do Sul, região muito fria para esta planta. Embora seja alimento fundamental das populações mais pobres ou talvez justamente por isso, a mandioca, segundo seus produtores e pesquisadores, não recebe dos órgãos oficiais a mesma atenção e o mesmo apoio dado a outras culturas consideradas prioritárias pelo Ministério da Agricultura (arroz, feijão, milho e trigo). O resultado é que a produção desta raiz está diminuindo ano a ano, e a produtividade também. Embora seja possível produzir 45 t/ha de raízes, a média nacional é de pouco mais de 10 t/ha. 
Mandioca - Manihot esculenta Crantz    O Centro Nacional de Pesquisas de Mandioca e Fruticultura, da Embrapa, fundado em 1975, vem pesquisando a mandioca como alimento e fonte de energia, e também aspectos ligados à sua produção. Os órgãos de pesquisas de vários estados também estudam a produção e usos da mandioca. Ultimamente, grande parte dessas pesquisas (em se voltado para o proveito da mandioca na alimentação animal. 

Usos 
Mandioca cozida
    Como alimento, a raiz é consumida cozida, frita em forma de farinha ou tapioca. Dela é feito ainda o polvilho (fécula de mandioca) e a cachaça tíquira, mais comum no Maranhão. Da mandioca faz-se o tacacá e a maniçoba, alimentos típicos da Amazônia, e o molho chamado tucupi, do Pará. Para a alimentação animal, as folhas e a rama, além da própria raiz, são também utilizadas. Pode-se dela extrair álcool e muitos derivados, assim como subprodutos da farinha. 

Clima e solo 
    Como planta de origem tropical, a mandioca prefere os climas quentes e úmidos. Mas pode ser cultivada em quase toda a faixa tropical e subtropical, até 30° de altitude norte e sul. Na região equatorial, suporta altitudes de até 2 000 m. As condições consideradas ideais vão de 18 a 35°C de temperatura e de 1000 a 1500 mm de chuvas bem distribuídas anualmente, principalmente no início da cultura. Os solos mais indicados são os permeáveis, areno-argilosos, com boa profundidade, pH de 5 a 6 de topografia plana e férteis. embora ela se desenvolva bem, também, em solos pouco férteis. São totalmente desaconselháveis os solos pesados, que prejudicam o crescimento das raízes, e os sujeitos a enchacamento. A inclinação do terreno deve ser de no máximo 10%.  

Variedades 
Mandioca branca (esquerda) Mandioca amarela (direita)
    São conhecidas mais de 1200 variedades no Brasil. Algumas delas, as chamadas mandiocas-bravas. servem para a industrialização e não podem ser consumidas como alimentos, por causa da quantidade relativamente grande de ácido cianídrico (HNC), que as tomam tóxicas. As variedades mansas têm no máximo 0,005% (50 p.p.m.) de HCN na polpa das raízes, enquanto as bravas têm, às vezes, 0,02 a 0,03 (200 a 300 p.p.m.). As partes da planta com maior teor de HCN são a casca da raiz e as folhas, mas há variedades mansas com teor de HCN nas folhas mais alto que nas raizes de variedades bravas. Isso serve como um lembrete para quem usa folhas de mandioca na alimentação animal. As recomendações de variedades são diferentes para cada região ou Estado, Rio Grande do Sul: vassourinha, paraguaiana, pernambucana (industriais); aipim gigante, aipim de batata e mimoso (de mesa). Santa Catarina: mandim branca (resistente à bacteriose e produz 18 t/ha), gauchina (31 t/ha) e mico (28 t/ha), todas elas bravas, e mais aipim gigante (de mesa, que pode chegar a 27 t/ha). Paraná e São Paulo: a mais cultivada é a branca de Santa Catarina, e há as variedades lançadas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), como iracema (industrial), mantiqueira (de mesa), IAC 12-829 (industrial com grande resistência à bacteriose ) e IAC 576-70 (de mesa, também resistente a bacteriose) Mato Grosso do Sul: a mais cultivada é a fitinha. Mato Grosso: a mais cultivada é a branca de Santa Catarina, Sul de Minas; cacau (de mesa, 6 t/ha) a manti- queira (também de mesa). Cerrado (MG); IAC 12-829 (industrial, resistente à bacteriose, produz 33 t/ha) e engana-ladrão (de mesa, 18 t/ha). Espírito Santo: gulião roxo (ciclo curto, 18 t/ha), rio branco (18,5 t/ha) , pão do chile-sul (14 t/ha, a mais cultivada), viada (22 t/ha) e manjari (muito comum, 15 t/ha). Bahia: mariapau (originária de Sergipe), aipim bravo, gigante e cidade rica (boa para a região do Recôncavo); novas variedades bem resistentes à seca são a rio de ouro (40 t/ha, em dezoito meses) e serra grande (25 t/ha em 18 meses). Litoral da Nordeste: paulo rosa, variedade 77 (26 t/ha) e são joão. Alagoas: variedade 77. Pernambuco: isabel de souza (16 t/ha) e joão grande (mais para o sertão, dá 12 t/ha). Paraíba  passarinha (30 t/ha, adubada com esterco), rosinha (28 tlha) , chapéu de couro (29 t/ha) e mata-negro (33 t/ha). Rio Grande  do Norte: amazonas (34 t/ha) e campinas  (19 t/ha). Ceará: jaburu (26 t/ha) , EAB  451 (27 t/ha). Piaui: sutinga (34 t/ha),  mandioca-preta (22 t/ha) e caxiana (19,5  t/ha) são as variedades mais resistentes à  seca. Maranhão: arizonínha-preta (17  t/ha) e najã-boi (16 t/ha). Região Norte:  mameluca (23 t/ha), jurara (25 t/ha), bubão (26 t/ha) e cachimbo (27 t/ha); a paulo tosa pode ser plantada nas terras firmes  da Amazônia, desde que em camalhões  de 20 a 30 cm de altura, para evitar o  apodrecimento das raízes.

Época de plantio 
    A época ideal para  o plantio da mandioca é o início das chuvas, porque o rendimento da planta pode  cair se hou ver falta de água nos seus primeiros cinco meses; depois disso, não  chega a ser um problema. O essencial é que não falte água na época do enraizamento. No Nordeste, os agricultores costumam aproveitar o inicio das chuvas para plantar outras culturas que sofrem mais com a falta de água, como o milho e o  feijão, deixando a mandioca para depois, o que diminui a sua produtividade. A solução, no caso, seria o consorciamento,  com suas várias vantagens, como a de reduzir o número de capinas, pois com o  sombreamento crescem menos invasoras.  

Sistemas de plantio 
Plantio de Mandioca    O plantio é feito  em covas ou sulcos com 5 a 10 cm de  profundidade, em que se colocam manivas (pedaços de caule), cerca de 20 cm de comprimento e 2,5 cm de diâmetro, cortados com facão bem afiado ou serra circular. Ale:uns agricultores costumam tratar essas estacas com fungicidas, imediatamente depois do corte, outros limitam-se a cortar as manivas e deixar para plantar no dia seguinte, porque, segundo eles,  o próprio leite da mandioca faz o papel  do fungicida, A quantidade de manivas  necessárias para plantar 1 ha é de 4 a 6 m2. Um metro cúbico tem aproximadamente 150 kg de haste de mandioca, dando de 2,5 mil a 3 mil manivas de 20 cm  de comprimento. Há agricultores que cortam as hastes com 5 ou 6 cm e outros  com 10 cm de comprimento. Os plantios com manivas de 10 cm têm feito algum  sucesso no Nordeste. Mas as manivas de  5 ou 6 são fracas e não produzem boa germinação. Atualmente é mais recomendado o plantio em fileiras duplas, que proporciona rendimento maior. Recomenda-se o espaçamento de 2,00 x 0,60 x 0.60 m. Isso significa duas fileiras com  espaçamento de 0,60 m entre elas, 2,00  m depois mais duas fileiras e assim por  diante. A distância entre as plantas, nas  linhas, é 0,60 m. Quando se utilizarem fileiras simples, o espaçamento recomendado é de 1,00 m entre as fileiras e 0,60 m  entre as plantas. Com esses espaçamentos, conseguem-se 12 820 plantas por  hectare em fileiras duplas ou 16 666 em  fileiras simples. Recomenda-se também o plantio em  camalhões (porções de terras entre dois  regos), para melhorar a captação de água  (no Norte, o plantio em camalhões ajuda  a evitar o apodrecimento, pelo excesso de  água). Recomenda-se o distanciamento de 1,00 x 1,00 m no plantio em montes, ou 0,80 x 0,80 m no plantio contínuo. Os camalhões, de no mínimo 0,50 m de largura, devem ser feitos a cada limpeza,  para abrigar as raízes e evitar que elas  cresçam para fora deles. Um dos problemas em relação à cultura da mandioca é  que o agricultor vai arrancando as plantas, de acordo com sua necessidade, e retira sempre as maiores, deixando para o  fim as mais fracas. Delas é que sairão as  manivas para novo plantio, Essas manivas são fracas dão origem a plantas  também fracas. E preciso, então, reservar  uma parte das plantas mais saudáveis para  colher no final. A posição da maniva na  cova ou no sulco pode ser horizontal (deitada) inclinada ou vertical. A mais usada  é a horizontal, em que a maniva fica coberta com 5 a 10 cm de terra. Pode-se  usar plantadeira mecanizada, e as boas  raízes obtidas são fáceis de arrancar. A  posição inclinada (a maniva é colocada a 45°) pode dar maior rendimento, mas é a  mais trabalhosa, de plantio mais difícil.  No plantio vertical, com as raízes cobertas em dois terços, a produção é boa, mas  as raízes ficam muito fundas, em posição  difícil de arrancar.  

Consorciamento 
Consorciação de Mandioca com Arroz    O plantio de mandioca consorciada com outra cultura é importante principalmente para o pequeno  produtor que, numa área pequena, consegue tirar mais de uma fonte alimentar, o que lhe dá maior estabilidade, pois se  uma cultura falha ele pode colher pelo  menos da outra. O consórcio predominante é com feijão. Normalmente planta-se o feijão com antecedência de quinze a noventa dias. Mas o mais aconselhável é plantar as duas culturas ao mesmo tempo,  para que ambas possam se beneficiar das  chuvas. As variedades de feijão não devem ser agressivas, mas convém que  cresçam rapidamente e tenham ciclo inferior a cem dias, para que a mandioca não  faça sombra. Como a mandioca tem o ciclo mais longo, de doze a dezoito meses,  as culturas de ciclo mais curto podem até ser plantadas duas vezes, desde que com  o espaçamento necessário no primeiro e  no segundo plantio. 
    No plantio com distanciamento de 2,00 x 0,60 x 0,60 m cabem três fileiras da cultura consorciadas  no primeiro plantio e duas fileiras no segundo, quando a mandioca já está mais  alta sombreando boa parte das ruas. As  variedades mais indicadas para o consorciamento são as mais altas, com pouca ramificação, para facilitar as limpezas e a  colheita das outras culturas e sombrear  pouco no segundo plantio. Além do feijão,  costumam ser consorciadas com a mandioca culturas de milho, arroz, amendoim,  soja, batata-doce, sorgo e, além disso. em  alguns lugares, como Santa Catarina, a  mucuna, o feijão-de-corda e a crotalária  para a produção de sementes. No Nordeste, costuma-se também consorciar a mandioca com milho e feijão de uma só vez, colocando-se entre duas ruas de mandioca duas fileiras de feijão e, no meio delas,  uma de milho. 
    Em Minas, experiências  feitas pela Universidade Federal de Viçosa  mostraram que a maior produtividade se  dá com o consorciamento de mandioca  com feijão. Duas filas de feijão no meio de  duas de mandioca mantêm a mesma produção das duas culturas solteiras, sem haver competitividade  Mas o consorciamento  mais lucrativo é o que faz com a batata, embora com o amendoim o resultado também seja bom.  

Adubação 
    Nas experiências com adubação, a melhor resposta foi obtida com  esterco de curral. A adubação fosfatada  também deu bons resultados em testes,  mas a orgânica revelou-se melhor porque,  além de aumentar o rendimento, melhora  as condições físicas e biológicas do solo.  Adubos químicos nitrogenados e potássicos não foram produtivos nas experiências, havendo casos até de respostas negativas. O único caso em que se necessita  de adubação fosfatada é o de plantio sucessivos de mandioca no mesmo terreno,  sem rotação. Mas mesmo nesse caso sai  mais barato fazer a rotação. Para adubação orgânica, os melhores estercos são os  de ovinos, caprinos e bovinos. Alguns resíduos da agroindústria também são ótimos adubos: como a torta da mamona, a casca de cacau triturada e a torta de dendê. Mas esses resíduos devem ser curtidos por alguns dias. O vinhoto pode ser  bom adubo se ficar alguns dias no tanque  de decantação da usina, quando já quase  transformado em lama, porque antes,  quando muito "molhado", ele é ácido demais e precisa ser corrigido com calcário,  para atingir o pH ideal. O esterco de aves  também é bom, mas precisa ser curtido  previamente. Em geral, a adubação de  curral, para a mandioca, deve ser de  aproximadamente, 6 t/ha; as tortas devem  ser de 800 a 1000 kg/ha; e o vinhoto, de  5 a 6 t/ha. Para quem tem criação de vacas ou cabras leiteiras, o melhor preparo  da terra são os currais móveis, onde esses  animais devem ficar durante a noite. A  adubação ideal de 1 ha pode ser feita com  26 vacas em trinta dias, podendo-se fazer  algumas variações como, por exemplo,  amarrar a vaca num mourão  para que ela  fertilize um círculo com raio do tamanho  da corda, em torno desse mourão. Esse sistema chama-se parcagem  conhecido também como curralão, pisoteio e bostejo. E  um sistema muito eficiente que, além do  nitrogênio, fornece fósforo, potássio, magnésio e micronutrientes que melhoram as condições físicas, biológicas e  químicas do solo. 
    Numa experiência na  Bahia, com o sistema de parcagem, se  atingiu uma produção de 37, 7 t/ha de raízes e 27.1 t/ha de parte aérea, enquanto  com esterco bovino a produção foi de  30,8 t de raízes e 8,7 t de parte aérea;  com torta de mamona foi de 23 t de raízes  e 5.9 t de parte aérea; com a uréia 19.9 t  de raízes e 5 t de parte aérea. Além disso,  depois de colhida a mandioca, o solo  apresentou-se muito mais rico em nutrientes e embora não se tenha feito um controle preciso, notou-se um grande aumento do número de minhocas.  

Tratos culturais 
    Nos primeiros cinco  meses, não pode haver competição da  mandioca com invasoras. Depois disso,  o mandiocal aguenta dois ou três meses  com o mato sem sofrer grande perda. Os restos de capina não devem ser retirados da área mas incorporados ao solo ou simplesmente deixados sobre sua superfície. Não se devem fazer podas, pois elas produzem mais efeitos negativos do que positivos para a mandioca, diminuindo a  produção de raízes e facilitando a disseminação de doenças. Só se aconselha cortar a planta 20 cm acima do solo em casos de ocorrência de pragas ou doenças, necessidades de ramas para novos plan- tios ou quando em área sujeita a geadas, como em Santa Catarina. No Ceará, segundo o engenheiro agrônomo João Licínio Nunes Pinho, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Ceará (Epace), costuma-se fazer uma poda semelhante, para obtenção de manivas (a época de colheita não coincide com a de plantio, por isso corta-se antes), aos 14 meses (para mandioca de dois ciclos), e, em vez de diminuir, a produção aumenta, em certos casos, ou mínimo se mantém. 

Pragas 
    As principais pragas que atacam a mandioca são a mosca-branca, um problema sério na Bahia, que prejudica as raízes e a qualidade da farinha; o mandarová (a praga mais importante), que em 4 ou cinco dias come todas as folhas e, se for nos meses iniciais da cultura, afeta o teor de amido (o controle pode ser feito com Trichogramma inimigo natural que destrói o ovo do mandarová, uma vespa chamada Polybia sericeae, predador da lagarta, e armadilhas luminosas para os insetos adultos); o percevejo-de-renda, que ocorre nas secas e desfolha a planta; os ácaros, de grande importância no Nordeste e no Cerrado mineiro, que podem ser controlados com jatos d'água a cada 8 dias; as cochonilhas, especialmente uma chamada Phenacoccus, que ocorre mais em Pernambuco  na Paraíba e no Ceará, deixam o broto da mandioca retorcido como como repolho (os picos dessa praga são em janeiro e agosto, mas já existem variedades resistentes); e a mosca-do-broto, só existente em Santa Catarina, que não afeta a produção e sim o material de propagação. 

Doenças 
Folhas de mandioca doente
    A bacteriose, principal doença da mandioca, se desenvolve em regiões em que a variação de temperatura entre o dia e a noite seja em torno de 10°C, causando problemas nas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, podendo causar prejuízos de até 100%. Seu controle consiste em não usar manivas provenientes de áreas contaminadas e plantio de variedades resistentes ou tolerantes, como a branca de Santa Catarina, IAC 12-829, mantiqueira, sonora e IAC 1418 (para São Paulo e Centro-Oeste), a mico, mandim branco e aipim gigante (em Santa Catarina) e a fibra (no Paraná). A doença fúngica mais importante é o supe- ralongamento, que entrou no Brasil pela Amazônia, onde ficou restrito durante 10 anos e agora já atinge Mato Grosso. O fungo injeta um ácido na planta que a faz crescer demais, mas praticamente não produz raízes. O grande perigo é que essa doença penetre em regiões densamente plantadas com mandiocas e, para que isso não aconteça, recomenda-se não introduzir material de plantio originário da re- gião Norte e de Mato Grosso. A antracnose, também causada por fungos, ocorre em todo o território nacional. Exige alta umidade e temperatura de 18 a 28°C. O sistema principal é a morte decadente (seca dos ponteiros, depois das hastes, e assim por diante). Em alguns casos há cancros profundos, broqueando a circulação da seiva. As medidas de controle são a seleção rigorosa de material, tratamento químico das manivas em áreas de ocorrência e utilização de variedades resistentes (cerca de 30% das variedades existentes resistem à antracnose). A doença mais importante do Nordeste é a podridão radicular, causada por patógenos do solo, como phytophtora, fusarium e erwinia sp. Em solos pesados ou ricos em material orgânico e encharcados pode causar 100% de perdas. As medidas de controle são a boa seleção de manivas, plantio em sistema de camalhão, rotação de culturas em áreas afetadas durante no mínimo dois ciclos e fazer a colheita antes da planta completar o ciclo normal (se é de 18 meses, colher com 12 meses). Outra doença é o mosaico, causado por vírus, e seu controle consiste em erradicar as plantas doentes. 

Alimentação animal 
Mandioca     Utilizada na alimentação animal, a mandioca barateia o custo da criação, mas é preciso lembrar que ela não substitui rudo o que contém a ração ou o milho, por exemplo. Supre especialmente a parte energética, mas alguns componentes devem ser incorpora- dos por meio de outros alimentos. A mandioca-mansa pode ser usada fresca para alimentação dos animais, especialmente os suínos, mas a mandioca-brava, por seu alto teor de ácido cianídrico, pode provocar intoxicações. A secagem ao sol, formando raspas (incluindo as cascas) diminui bastante o teor de ácido cianídrico, deixando a mandioca já em condições de alimentar o gado bovino, suíno e outros animais. A ensilagem também reduz em 63% o teor de ácido cianídrico. Se a mandioca for a mansa, deve ser colhida, lavada, picada e fornecida imediatamente aos animais, pois não se conserva bem em estado fresco. Para secagem, deve se lavar a mandioca, picar em pedaços de 5,0 x 1,5 cm com máquina de fazer raspas ou triturá-la numa picadeira de capim e espalhá-la em terreiro cimentado ou lona de plástico, em camada de 5 a 7 kg/m, sob o sol. Quanto mais seco for o ar, mais rápido as raspas atingem o ponto ideal. O vento também ajuda. Quando a mandioca é cortada. tem de 60 a 65% de umidade. Em boas condições, em dois dias a umidade terá caído para 14% e poderá ser ensacada. A raspa de mandioca pode ser transformada em "pellets" (espécie de blocos desidratados), por um processo industrial, para compor as rações balanceadas. Pode também ser utilizada para a fabricação de álcool ou, ainda, moída e fornecida como farelo aos animais. A ensilagem da mandioca é feita com lavagem das raízes, que devem ser picadas imediatamente em pedaços de no máximo 2 cm. Os pedaços são compactados em camadas de 20 cm no silo até que ele fique cheio, com o topo abaulado (arredondado). Em seguida, cobre-se o silo com uma lona de plástico, que deve ter as pontas sobrepostas com, no mínimo, 15 cm de terra. O silo deve ser enchido o mais rapidamente possível. Em seguida, faz-se uma canaleta para evitar a entrada de água de chuvas e se abre o silo depois de trinta dias. Ao abrir, não expor muito a parte ensilada que não vai ser retirada logo. O segredo da boa silagem está na rapidez com que se fazem as operações de colher, lavar, picar, compactar, encher e fechar o silo. A parte aérea da mandioca pode ser picada e colocada no cocho para o gado bovino (embora com alto valor nutritivo proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais ela não pode ser consumida fresca por causa do ácido cianídrico). Há outras formas de se aproveitar a parte da mandioca-mansa. Com exceção da haste principal, até uma altura de 40 cm, aproximadamente ela pode ser picada em pedaços inferiores a 2 cm, com picadeira de forragem, e deixada ao sol até ficar completa- mente seca. O material será então ensacado ou transformado em farelo num moinho de peneira e guardado em lugar arejado. Em bom estado e boas condições de armazenamento, ele se conserva em bom estado nutritivo pelo prazo de mais ou menos um ano. A parte aérea também pode ser ensilada como a raiz, só que cortada em pedaços de 1 ou 2 cm. O ensilamento pode ser feito pelo método tradicional ou usando-se uma lona plástica, sobre a qual se coloca o material compactado e fecha-se a lona como se fosse um envelope, com a borda para cima, para evitar a entrada de água de chuva. A ensilagem pode ser feita pelo mesmo processo, misturando-se a parte aérea da mandioca com capim, principalmente o capim-elefante. 
    Depois de, no mínimo, trinta dias (o ideal são 45 dias), abre-se uma das bordas do envelope e vai-se retirando o produto para o gado. Cada boi come, em média 30 kg/dia, e o material ensilado resiste até seis meses. As lonas plásticas existentes no mercado são de 6 x 10 m: podem ser feitos vários silos, abrindo-se um de cada vez. É aconselhável que eles sejam feitos em lugar cercado, porque o gado gosta tanto dessa ração que pode estragar a lona. 
   Outra forma de utilização da parte aérea é na ensilagem de capim novo, Embora nutritivo, ele não serve para ensilagem por causa da umidade. Então, a cada 20 em de capim colocado no silo e prensado. colocam-se 5% de farelo da parte aérea da mandioca, que fornece o material seco necessário. Na alimentação de aves, o farelo de mandioca pode ser acrescentado à base de 20% nas. rações para pintos. Para frangos de engorda, mistura-se 20% da parte aérea da mandioca, 50% de farelo de raiz de mandioca e 30% de ração comprada no comércio. Para melhorar a pigmentação dos ovos de galinha, coloca-se na sua ração 0,5 % da parte aérea da mandioca fresca (no caso, mandioca-mansa) ou fenada. A folha de mandioca é riquíssima em nutrientes. 
    Cada 100 g de folhas contém 91 calorias, 7 g de proteínas, 303 mg de cálcio (mais do que a couve, que contém 203 g), 119 mg de fósforo (a couve, muito rica em fósforo, tem 92 mg), 7,6 mg de ferro, o feijão fradinho, muito rico em ferro, tem 7,2 mg, 1 960 mmg de vitamina A (a cenoura tem 1100 mmg), 0,25 mg de vitamina B, nenhuma verdura tem tanta, 0,60 mg de vitamina B2 - quantidade também maior que a de qualquer verdura e 311 mg de vitamina C - o limão tem 50 mg. Um dos pesquisadores que se dedicam ao estudo do uso da mandioca na alimentação animal é o engenheiro agrônomo João Luiz Homem de Carvalho, do Centro de Pesquisa Agropecuária do Cerrado (CPAC), em Brasília, onde obtêm-se maiores informações. Contra nematóides - A manipueira (suco leitoso da mandioca, que se retira para a fabricação de farinha), tem sido testada no combate a nematóides com bons resultados. As experiências foram feitas infestando-se o solo com nematóides. Dez dias depois fez-se a aplicação de manipueira em dosagens diversas. Passados mais dez dias, cultivou-se o solo com quiabeiro, e o resultado foi que a infestação de nematóides diminuiu até desaparecer, à medida que se aumentou a quantidade de manipuera aplicada até 1 l por vaso. O efeito antinematóide deve-se, provavelmente, ao teor de HCN (ácido cianidríco) da mandioca-brava, que sai na manipueira. 

Colheita 
    Estão sendo desenvolvidas máquinas motorizadas para colheita da mandioca, mas ela ainda é feita quase sempre manualmente. Um trabalhador consegue colher de 800 a 1000 kg/dia; e convém evitar que a mandioca permaneça mais de 24 horas no campo. É de grande importância a época da colheita, devendo-se conhecer bem o ciclo das variedades cultivadas, que varia de doze a dezoito meses. Com um plantio planejado de mandioca de ciclos diferentes, pode-se ter uma colheita mais prolongada. 

Composição nutricional por 100g

Mandioca cozida: 119 calorias, 0,06 g de proteínas, 28 mg de cálcio, 37 mg de fósforo, 0,9 de ferro, 2 mmg de vitamina A, 0,05 mg de vitamina B), 0,03 mg de vitamina B2 e 31 mg de vitamina C. 

Mandioca frita: 352 calorias, 1,2 mg de proteínas, 54 mg de cálcio, 70 mg de fósforo, 1,7 mg pe fer- ro, 3 mmg de vitamina A, 0,09 mg de vi- tamina B J, 0,06 mg de vitamina Bz e 66 mg de vitamina C. Polvilho: 352 calorias, 0,6 g de proteínas, 10 mg de cálcio, 16 mg de fósforo, 0,4 mg de ferro, 0,01 mg de vitamina B), e 0,02 mg de vitamina B2. 

Farinha de mandioca: 354 calorias, I ,7 g de proteínas, 61 mg de cálcio, 48 mg de fósforo, 3,1 mg de ferro, 0,08 mg de vitamina B1 0,07 mg de vitamina B2 e 14 mg de vitamina C.

Fotos
Mandioca - Cultivo

Inhame

    O Inhame (Colocasia esculenta) é uma hortaliça tipicamente tropical, originária do Sul da Ásia, superior à batata por ser muito rico em amido proteínas, vitaminas do complexo B e açúcar. É muito apreciado por povos de regiões em que as temperaturas elevadas impedem o cultivo da batata. No Centro-Sul do Brasil não é valorizado, embora sirva para enriquecer a alimentação de populações de baixa renda e integre a pauta de exportações.
    A planta pode chegar a 1,80 m de altura, conforme a variedade; a parte comestível é o caule subterrâneo, do tipo rizoma, revestido de uma casca (túnica) fibrosa, com radiculos, de coloração roxa. As variedades preferidas no Centro-Sul são as de polpa branca. A mais plantada é a chinês, de túnica e caules roxos, com polpa branca, cultivada em São Paulo e Minas Gerais, as folhas são verde-escuras com forma de coração. A confusão com o cará deve-se ao nome deste em espanhol (liame) e italiano (igname). No Nordeste brasileiro, o cara-da-costa é chamado também de Inhame.



Folha de inhame é comestível?
    O Inhame  (Colocasia esculenta) não deve ser confundido com a Taioba (Xanthosoma sagittifolium), de sua família, que tem folhas comestíveis, as folhas de Inhame possuem oxalato de cálcio que não é venenosa, porém altamente alergica podendo provocar irritações na boca e na garganta, tanto o Inhame como a taioba pertecem família botânica Araceae que é a mesma dos antúrios e costela-de-adão, essa familia botanica é conhecida por possuir especies altamente Tóxicas, existe também variedades “bravas” da taioba como a  (Colocasia antiquorum Schott) por isso é deve se atentar a identificação correta das plantas  antes de se consumir.

Clima e solo
    O Inhame desenvolve-se e produz bem em clima quente e úmido, principalmente com temperaturas de 25 a 30°C e chuvas de 1.800 a 2.500 mm bem distribuídas durante o ano. Embora goste de sol, tolera sombreamento. O solo preferido é úmido, de boa drenagem, leve, rico em matéria orgânica, arenoso ou arena-argiloso, com pH de 5,5 a 6,5. Produz bem em areia, à beira-mar, solos de baixada, turfosos ou em margens de rios e represas. Não aceita bem solos excessivamente argilosos.

Plantio
    O plantio é feito com a utilização de rizomas secundários ou pedaços do principal. Os mais utilizados são os secundários, chamados "rebentos" ou "filhotes", Até a época do plantio, devem ficar em lugar sombreado, fresco e ventilado. O plantio pode ser feito ao nível do terreno ou em camalhões, à profundidade de aproximadamente 7,5 cm, testes feitos pala Universidade Federal de Viçosa obtiveram como melhor espaçamento o de 100 x 20 cm, o que dá 50.000 plantas por hectare. Os melhores resultados foram obtidos com rizomas pequenos, de cerca de 17 g. A época recomendada para o cultivo é o período chuvoso (no Centro-Sul, de setembro a dezembro). Em lugares de clima quente, pode-se plantar em qualquer época, e até mesmo em julho-agosto, com irrigação.

Tratos culturais
    Além da capina é preciso fazer a amontoa, para que os rizomas não fiquem expostos à luz solar. Em climas semiáridos, deve ser feita irrigação. O Inhame é pouco atacado por pragas e doenças, podendo ocasionalmente ser vítima de fungos que lhe causam manchas nas folhas, fungos e bactérias que atacam as raízes, e do nematóide Meloidogyne sp.

Colheita e rendimento
    A safra ocorre normalmente de abril a julho. A planta é colhida completamente madura. quando as folhas estão amareladas, com manchas ferruginosas, ou secas, sete a nove meses depois do plantio. Desenterram-se os rizomas com cuidado para não ferilos: feridos eles podem apodrecer. A produtividade varia de 10 a 25 t/ha, dependendo do espaçamento e do grau de tecnificação alcançado pelo produtor.

Comercialização
    Nos climas quentes obtêm-se melhores preços com plantio precoce, no inverno. Rizomas desenterrados depois do completo desenvolvimento, e os de colheita retardada proporcionam melhores preços, mas a produtividade diminui e a qualidade dos produtos é prejudicada. Dos rizomas centrais e laterais, os de melhor aceitação no mercado são de 10 a 12 cm de comprimento e cerca de 6 cm de diâmetro, com peso de 100 a 200 g.

Composição nutricional por 100 g
    102 calorias 1,8 g da proteínas, 51 mg de cálcio, 88 mg de fósforo, 1,2 mg de ferro, 0 1 mg de vitamina B1, 0,03 mg de vitamina B2 e 8 mg de vitamina C.

Fotos
Cultivo de Inhame

Referencias: Guia Rural Abril - Anuario 1988
https://www.embrapa.br/hortalica-nao-e-so-salada/inhame
https://www.jardimcomestivel.com.br/post/taioba-ou-inhame

Cenoura

    A cenoura (Daucus carota L.), provavelmente originária da região do Mediterrâneo e do sudoeste da Ásia, é uma planta da família das umbelíferas (a mesma da mandioquinha-salsa, aipo, salsa, coentro e funcho), que produz uma raiz aromática e comestível, com alto teor de vitamina A. É uma das hortaliças mais cultivadas do Brasil. As cenouras atualmente cultivadas foram introduzidas na Europa pelos árabes, através da Itália. Por ser uma planta de clima temperado, a sua produção no Brasil é maior nos meses de inverno, mas vários órgãos governamentais estão empenhados na pesquisa de variedades de verão, tendo já conseguido algum sucesso, como o desenvolvimento das variedades brasília e kuronan, que são plantadas o ano todo. 

 Clima e solo 
    A cenoura desenvolve-se bem em temperaturas que vão de 8 a 22°C, mas existem variedades que aceitam temperaturas de até 25°C. Os melhores solos para seu cultivo são os férteis, de textura média, bem drenados, com pH em tomo de 6, ricos em matéria orgânica e livres de microrganismos patogênicos. 

Variedades 
    Para o plantio de inverno, recomenda-se a nantes; para o de verão, a kuronan, brasília, kuroda e tropical. A kuronan tem folhagem vigorosa, verde-clara, com 25 a 30 cm de altura. As raízes cilíndricas, laranja-escuras e com baixa incidência de ombro verde ou roxo, medem de 15 a 25 cm e têm diâmetro entre 2 e 3 cm. É resistente ao calor e à requeima das folhas causada pelo fungo Alternaria dauci. Originária do cruzamento entre a kuroda-gossun e a nantes, é recomendada para o plantio entre novembro e março, no cinturão verde de São Paulo. A brasília tem folhagem vigorosa, com 35 a 40 cm de altura, muito resistente a doenças. As raízes. quase cilíndricas e alaranjadas, também apresentam baixa incidência de ombros verdes ou roxos e medem de 14 a 16 cm, com diâmetro entre 3 e 4  cm, o peso varia entre 120 e 140 g, foi desenvolvida para ser cultivada principalmente nas regiões do Planalto Central, no Nordeste e no Norte do país. 

Plantio 
    O de inverno vai de março a junho, e o de verão, de setembro a janeiro. A kuronan e a brasília devem ser plantadas de novembro a março, o solo é corrigido e adubado de acordo com o resultado da análise feita de três a quatro meses antes do plantio, e as sementes, distribuídas em filete contínuo, a 1 ou 2 cm de profundidade, em sulcos distanciados entre si de 20 a 30 cm, em seguida, são cobertas com uma leve camada de terra, gastam-se 3 g de sementes por metro quadrado de terreno, deve-se manter o canteiro livre de plantas invasoras, até dois ou três meses após o plantio. 

Tratos culturais 
    Precisa de regas diárias até trinta dias após o semeio e depois, de três em três dias, o desbaste é necessário quando as plantas estão com 10 cm de altura, eliminando-se as menos desenvolvidas e deixando-se as mais vigorosas num espaçamento de 4 a 5 cm. As plantas invasoras são eliminadas com capinas, sempre que necessário. Pode-se plantar cenoura nas entre linhas da alface, o que possibilita melhor aproveitamento do canteiro e maior proteção do solo. Já se demonstrou que a alface e a cenoura são plantas companheiras. 

Pragas e doenças 
    O maior problema da cenoura são os nematóides, além disso, pode ser atacada por pulgões e cochonilhas, por doenças fúngicas como a queima das folhas ou requeima e a cercosporiose, e por bacterioses como a podridão mole. 

Colheita e rendimento 
    A colheita se dá de 70 a 120 dias, conforme a variedade (a da kuronan, de 95 a 120 dias após a semeadura), o ciclo vegetativo da brasília depende da região onde é cultivada, na região de Brasília, por exemplo, o ponto ideal de colheita para o mercado é de 80 a 90 dias e em regiões mais quentes, como os Estados de Pernambuco, Paraíba, Mato Grosso, Piauí e Acre, de 65 a 70 dias, nas regiões mais frias, onde as temperaturas baixam a 10 ou 12°C à noite e os dias são longos, o florescimento é prematuro, fazendo com que as plantas tenham até 20% de raízes defeituosas. A produtividade da brasília, em condições normais, é de 35 a 45 t/ha. Depois de arrancadas as plantas, retiram-se as folhas, as raízes são selecionadas, classificadas por tamanho, lavadas e embaladas em caixas tipo K (com espaço interno de 49,5 cm de comprimento, 23 cm de largura e 35,5 de altura), que comportam em média 26 a 27kg. O atraso da colheita das cenouras torna as raízes lenhosas. 

Comercialização 
    De maneira geral,os preços são elevados de fevereiro a abril, médios em maio e baixos de junho a janeiro. 

Composição nutricional por 100 g
    42 calorias, 1,10 g de proteínas, 37 mg de cálcio, 36 mg de fósforo, 0,70 mg de ferro, 1100mmg de vitamina A, 0,06 rng de vitamina B1,  0,05 mg de vitamina B2 e 8 mg de vitamina C. 
Conserva: 28 calorias, 0,60 g de proteínas, 25 mg de cálcio, 20 mg de fósforo, 0,70 mg de ferro, 1 000 mmg de vitamina A, 0,02 mg de vitamina B1, 0,02mg de vitamina B2 e 2 mg de vitamina C. 

Fotos

Cará

    O Cará (Dioscorea alata L., originário  do Brasil e Dioscorea caveniensis var.  ronundata, da África) é uma herbácea  trepadeira, com tubérculos feculentos  que contêm as principais vitaminas do  complexo B. E amplamente cultivado em   regiões tropicais, servindo de alimento  nas Américas Central e do Sul, na Ásia  e nas ilhas do Pacifico. No Nordeste brasileiro é ainda conhecido como inhame, que é outra cultura. A confusão de no mês deve-se ao nome do cará em espanhol (liame) e em italiano (igname). As  folhas são estreitas, em forma de ponta  de lança, e os tubérculos subterrâneos. A  espécie Dioscorea alata também possui  tubérculos aéreos.  

Espécies e variedades 
   O gênero Dioscorea tem seiscentas espécies, quatorze  usadas como alimento, algumas têm finalidade farmacológica, no Brasil, as  mais produzidas são a flórida, a caipira, o  cara-mimoso e o cará da costa, este último rico em carboidratos, proteínas, vitamina C, riboflavina e ácido nicotfnico. (Ver foto das variedades no final deste artigo)

Clima e solo 
    Desenvolve-se bem em  clima quente e úmido, não tolera frio e  geadas. Prefere temperaturas de 25 a 30°C e chuvas em torno de 1.500 mm/ano  com dois a cinco meses de estiagem os solos devem ser leves, com boa aeração  bem drenados, areno-argilosos ou areisos, com pH 6,0 a 6,6. No Nordeste  adapta-se aos solos de aluvião.  

Plantio 
    O melhor método é o carmalhão, os outros são cova funda, montículo e no plano. A propagação é feita por  meio de tubérculos-semente, pesando em  média 50 g, plantados inteiros. Para adubação, usam-se fosfatos naturais ou aproveita-se o efeito residual de outra cultura.  Em regiões altas e frias do Centro-Sul,  planta-se no período quente e chuvoso e,  quando as temperaturas são elevadas, no  período seco, para prolongar o ciclo vegetativo e aumentar a produção. Nas regiões baixas, com inverno ameno, planta-se de junho a setembro. Em São Paulo, o  plantio é feito em setembro. No Nordeste, as chuvas são benéficas durante o desenvolvimento das túberas. O plantio é  feito a 10 cm de profundidade; em camalhão é feito com espaçamento de 1,20 m  entre as filas, e 0,40 a 0,60 m entre as  plantas. Com espaçamento de 0,40 m,  utilizando-se rizomas-semente com tamanho médio de 100 g, gastam-se quase  2 100 kg/ha. Com espaçamento de 0,60  m, gastam-se aproximadamente 1400 kg.  O plantio em montículo ou cova funda,  com espaçamento de 1,25 x 0,80 m, gasta 500 kg/ha.  

Tratos culturais 
    No Centro-Sul a cultura é rasteira, exigindo capinas e amontoas, antes que as hastes, que chegam a  ter de 4,00 a 6,00 m de comprimento, se  entrelacem. No Nordeste, costuma-se tutorar o cara-da-costa, utilizando-se estacas de 2,00 m ou pouco mais. As capinas  devem ser feitas durante todo o ciclo da  cultura, e é aconselhada a cobertura morta para manter a terra arejada e favorecer  o crescimento das raízes. 

 Pragas e doenças
    O cará raramente é  atacado por pragas, Nematóides são um  problema em solos leves, apodrecendo as  túberas, As doenças são o mosaico e a  antracnose.

Colheita e rendimento 
    O ciclo cultural do cará é de cinco a seis meses. Faz-se a colheita quando a planta apresenta  folhas amarelas e os ramos secos. Em camalhões, usam-se arados de aiveca para  facilitar a operação. Retira-se li terra e as  raízes dos tubérculos, estocando-os em  galpões arejados. Nas culturas do Centro-Sul, obtêm-se de 15 a 25 t/ha: no Nordeste, com o 'Carã-da-Costa', até 40 t/ha. A média mundial é de 9,4 t/ha. Em São Paulo, a colheita é feita em março-abril. 

Composição nutricional por 100 g
     135 calorias, 2,3 g de proteínas, 28 mg de cálcio, 52 mg de fósforo, 1,6 mg de ferro, 5 mmg de vitamina A, 0,05 mg de vitamina B1,0,03 mg de vitamina B2 e 12 mg de vitamina C.

Fotos
Cará do gênero Dioscorea cayennensis

Cará do gênero Dioscorea alata

Beterraba

   A Beterraba (Beta vulgaris L. var. conditiva), originária da Europa, da família  das quenopodiáceas (a mesma da acelga e  do espinafre), é uma planta bienal que,  além de raiz principal, produz uma raiz  tuberosa vermelho-escura, arredondada,  achatada e comestível, muito rica em açúcares, sais minerais e vitaminas. Segundo  Fernando A. R. Filgueira, a beterraba necessita de um período de baixas temperaturas para florescer e produzir glomérucos  (aglomerados de frutos), usados para a  semeação. Existem beterrabas açucareiras  e forrageiras, que são cultivadas nos Estados Unidos e na Europa, mas no Brasil as  preferidas são as oleráceas. À beterraba  são atribuídas propriedades terapêuticas,  entre elas a de agir como purificadora do  sangue.  

Variedades 
    As preferidas são a wonder-precoce, a detroite a asgrow-wonder, sendo esta última super precoce, com  raízes redondas e uniformes, tenras, de  excelente sabor e alto valor nutritivo. A  coloração interna vermelho-escura a torna mais vantajosa comercialmente. As  folhas verdes e vigorosas são úteis no  preparo de maços. 

Clima e solo 
    Desenvolve-se melhor  em clima de temperatura para frio, com  temperaturas entre 7 e 22°C. Os melhores  solos para o plantio são os arena-argilosos ou argilo-arenosos, profundos, soltos, bem drenados e ricos em matéria orgânica  e em boro, com pH entre 6.0 e 6,5. 

Plantio 
    Vai de abril a julho ou pode  ser feito durante todo o ano em regiões de  clima ameno. A adubação e a calagem dependem da análise do solo e são feitas antes da semeadura. Aconselha-se, porém, adubar os de média fertilidade com 8 a 10 kg/m2 de esterco bem curtido de curral, as sementes são lançadas no local definitivo, arado e gradado, duas ou três por cova e à profundidade de 1 cm. As covas devem estar distantes entre si de 20 a 25 cm. A germinação pode ser apressada deixando-se as sementes de molho em água, durante doze horas, antes do plantio. Cada grama contém de cinqüenta a sessenta unidades. 

Raleação 
    Quando as plantas estão com 5 a 10 cm de altura, é feita a raleação, deixando-se no local as mais vigorosas. As mudas arrancadas podem ser plantadas em outro canteiro. 

Adubação de cobertura 
    Após a raleação, faz-se a adubação, aplicando-se 4 kg de composto orgânico por metro quadrado. 

Tratos culturais 
    Consistem em irrigações diárias e retirada das plantas invasoras. Não se deve deixar descoberta de terra a parte superior da beterraba, pois sol, incidindo diretamente sobre ela, endurece-a. 

Pragas e doenças 
    As pragas são insetos mastigadores e sugadores, e as doenças, a mancha-da-folha e o tombamento, causados por fungos. 

Colheita 
    Pode ser iniciada de setenta a noventa dias depois da semeadura, retirando-se as raízes ainda não completamente desenvolvidas, pois, se ficarem por muito tempo no solo, tomam-se fibrosas e de aspecto e tamanho indesejáveis. As folhas, que também são comestíveis, são atadas em maços ou podem ser embaladas junto com as raízes. O rendimento é de 30 a 40 t/ha. 

Composição nutricional por 100 g 
42 calorias, 1,7g de proteínas, 14 mg de cálcio, 38 mg de fósforo, 0,8 mg de ferro, 2 mmg de vitamina A, 0,01 mg de vitamina B1, 0,04 mg de vitamina B2 e 5 mg de vitamina C.  
Folhas: 38 calorias, 3,2 g de proteínas, 114 mg de cálcio, 34 mg de fósforo, 3, 1 mg de ferro, 525 mmg de vitamina A, 0,07 mg de vitamina B1, 0,22 mg de vitamina B2 e 50 mg de vitamina C.

Batata-doce

   A batata-doce (Ipomoea batatas (L.) Larn.), muito rica em carboidratos e açúcares, originária da América do Sul, é uma das principais hortaliça cultivada no Nordeste brasileiro e do país. É uma planta fácil de cultivar, de baixo custo de produção e muito adaptável a diversas condições. Seu caule rastejante atinge de 2 a 3 m de comprimento e a rama, verde ou arroxeada, tem folhas em forma decoração ou ponta-de-lança. Nos primeiros 10 cm de solo estão as raízes superficiais. A raiz principal e algumas secundárias atingem maior profundidade. Na fase reprodutiva, a planta dá flores lilases ou arroxeadas. Para a alimentação humana a batata-doce pode ser cozida, assada ou frita. As ramas (10 a 15 cm de suas pontas) também são comestíveis. Na indústria, é matéria-prima para doces enlatados, para extração de amido e pode ser usada para a produção de álcool carburante. Na alimentação animal, a raiz (batata) e a rama podem ser usadas na forma natural picada, ensilada, ou na forma de farinha seca, principalmente para bovinos e suínos. A batata pode também ser componente de rações para esses animais. 

Variedades 
    As mais comuns do Brasil, consideradas de mesa, têm película externa branca, rosa ou amarelada, e a oloração da polpa pode ser branca, creme ou amarelada. As mais cultivadas são a monalisa (polpa cor de salmão), a jacareí, a vineland bush, a peçanha rósea, a santa sofia e a peçanha branca, esta última menos produtiva. O Centro Nacional de Pesquisa de Hortaliças (CNPH) da Embrapa, indica algumas variedades específicas para determinadas regiões. Para o Amazonas, região de Manaus, há a balão, a três quinas e a jambo; para Minas Gerais, a gonçalves, a variedade-14, a arroba, a peçanha rósea e a peçanha branca; para o Rio de Janeiro, a rosinha do verdan; para São Paulo, a napoleão, amonalisa e a jacareí; para a região de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a americana e a rama roxa; para Sergipe, a ourinho e a batata salsa e, para o Distrito Federal, a coquinho, a brazlãndia branca e a brazlândia roxa. O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) recomenda para São Paulo as variedades de mesa rnonalisa e IAC-271. As variedades industriais têm polpa amarela, salmão e roxa, e o IAC indica, entre estas, a SRT-278 (centenial). As variedades forrageiras mais plantadas são a SRT-252 e a IAC-iraí. Esta última é mais produtiva, mas tem ciclo tardio (sete meses). 

Clima e solo 
    Prefere clima quente, com temperaturas noturnas e diurnas superiores a 20°C. Desenvolve-se mal em temperaturas muito baixas ou onde a temperatura do solo é inferior a 10°C, chuvas de 500 a 750 mm, bem distribuídas durante o ciclo da cultura, lhe bastam. A batata-doce não é exigente em solo, mas desenvolve-se melhor em solo leve, solto, permeável e quente, arenoso ou areno-argiloso, com pH 5,6 a 6,5. Devem-se evitar terrenos muito compactos, pedregosos ou sujeitos a encharcamento. Pouco exigente em nutrientes, normalmente é plantada sem maiores cuidados, só com a fertilidade natural do solo. Pode-se usar esterco de curral e fosfato natural moído,este último três meses antes do plantio. Excesso de nitrogênio é prejudicial. 

Plantio 
    A propagação pode ser feita por meio de brotos destacados, batatas brotadas ou ramas novas ou em viveiros. A formação do viveiro deve ser feita de junho a agosto, e cada 100 a 150 kg de raízes fornecem ramas para o plantio definitivo, de outubro a janeiro, de 1 ha. O método de plantio em viveiro é o mais recomendado, utilizam-se batatas pequenas (de 80 a 150 g) com espaçamento de 1,50x 0,50 m. Cerca de 100 a 120 dias depois, as ramas podem ser cortadas para o plantio. E depois mais duas vezes, com intervalos de sessenta dias. Cada batata plantada dá em média vinte ramas. A melhor época para o plantio definitivo é a da metade do período chuvoso, geralmente de novembro a janeiro, nos Estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. No Nordeste, o plantio deve ser feito no início da estação chuvosa ou em qualquer época do ano, se houver irrigação e a temperatura não baixar muito. O plantio deve ser feito em leiras ou camalhões (elevações limitadas por regos), de 0,30 a 0,40 m de altura e com distanciamento de 0,80 a 1,00 m. O espaçarnento entre as plantas pode ser de 0.25 a 0,40 m. Para industrialização ou forragem, os espaçamentos devem ser maiores: 1,00 x 0,35m; 0,90 x 0,40 m; ou 1,20 x 0,30 m. As ramas retiradas para o plantio com oito a dez entre nós (cada entre nó corresponde a uma folha), devem ser deixadas à sombra,por um ou dois dias para murchar, evitando-se que se quebrem. Depois, são colocadas sobre a leira transversalmente e enterradas pela base ou pelo meio, com um pedaço de pau. Devem-se enterrar três ou quatro entre nós . Se for enterrado apenas um ou dois, deverão surgir batatas grandes e poucas. Com muitos entrenós enterrados, a produção é de muitas batatas, mas pequenas. 

Tratos culturais 
    São necessários reparos nos camalhões e capinas. A irrigação deve ser maior na fase inicial do crescimento vegetativo das ramas plantadas, até que cubram o terreno (duas vezes por semana). Durante a formação das batatas, a irrigação deve passar a urna vez por semana, dos vinte aos quarenta dias aproximadamente, e daí até a colheita uma veza cada duas semanas. 

Pragas e doenças 
    É uma cultura muito resistente e rústica. A principal praga é a broca-da-batata-doce, uma larva de besouro que quando ocorre pode tomar as batatas imprestáveis para o consumo humano ou mesmo animal. Outras pragas que atacam as raízes são a vaquinha, também chamada bicho-alfinete, e a broca-do-coleto, urna larva de mariposa. Pragas de importância menor são os besourinhos, os pulgões, o bicho-de-bolo, a cigarrinha, a lagarta-rosca, a larva-arame, as lagartas-da-folhagem e os ácaros, que não chegam a causar grandes prejuízos. Para o combate às pragas, recomenda-se plantar variedades resistentes a insetos do solo (como a variedade brazlãndia-roxa); a rotação de culturas com tomate, cebola, cenoura, trigo ou arroz, por dois ou três anos; usar ramas sadias como mudas;  fazer amontoas bem feitas; colher a batata-doce antes de 130 dias depois do plantio; e não deixá-la armazenada por mais de trinta dias. As informações sobre doenças são poucas, havendo referências à antracnose, cercos poriose, enfezamento, ferrugem-branca, ferrugem-das-folhas, mosaico, murcha-fusariana, podridão-mole, podridão-negra, podridão-do-pé,  podridão-superficial e sarna. 

Colheita 
    Quando a parte aérea murcha e se torna amarela é época de colher, 100 a 110 dias depois do plantio, no caso de variedades precoces, e até 180 dias para variedades tardias. Quanto mais tempo a batata-doce ficar no solo, maior a possibilidade de ataque de pragas e doenças, Se for para a indústria ou forragem animal, pode ser colhida um pouco mais tarde, quando está maior. Na véspera da colheita, eliminam-se as ramas. Depois de colhidas, as batatas ficam de trinta minutos a três horas para secar ao sol. Devem-se evitar ferimentos no processo de colheita e também que as batatas fiquem expostas ao sol por tempo excessivo. Deve-se também colher apenas a quantidade necessária, deixando as outras no solo, onde podem ficar por mais algum tempo (até meses, desde que não chova muito nem haja ataque de pragas).
    Num galpão, as batatas são lavadas, selecionadas, classificadas e embaladas, se forem para a comercialização a curto prazo. Se tiverem de ser armazenadas, é melhor que não sejam lavadas, porque a água as prejudica. Depois de embaladas, em caixas tipo K, que comportam em média 27 kg, as batatas devem passar por urna cura de quatro a sete dias, num ambiente de 28 a 30°C e com umidade relativa do ar de 85 a 90%. As batatas preferidas no mercado são as de 13 a 15 cm de comprimento e cerca de 6 cm de diâmetro. A classificação nas grandes cidades considera do tipo extra, A as batatas de 300 a 400 g, extra as de 200 a 300 g, especial as de 150 a 200 g, e tipo "diversas" as com mais de 400 g ou menos de 150 g. Uma plantação comercial dá uma produtividade média de 20 a 30 t/ha. 

Produção e produtividade 
    A maior produtividade média é conseguida em Santa Catarina (15,3 t/ha) e a menor Rio Grande do Norte (7 t/ha). No Rio Janeiro, a média de 15,7 t/ha.

Composição nutricional por 100 g
Batata doce cozida: 97 calorias, 1,1 g de proteínas, 26 mg de cálcio, 31 mg de fósforo, 0,8 mg de ferro, 252 mmg de vitamina A, 0,09 mg de vitamina B1, 0,03 mg de vitamina B2 e 26 mg de vitamina C. 
Frita: 368 calorias, 2,7 g de proteínas, 65 mg de cálcio, 78 mg de fósforo, 2,10 mg de ferro, 630 mmg de vitamina A, 0,23 mg de vitamina B1, 0,08 mg de vitamina B2 e 65 mg de vitamina C. 
Doce caseira: 235 calorias, 0,6 g de proteínas, 13 mg de cálcio, 16 mg de fósforo, 0,40 mg de ferro, 120 mmg de vitamina A, 0,05 mg de vitamina B1,  0,02 mg de vitamina B2, e 13 mg de vitamina C. 
Folha: 49 calorias, 4,6 g de proteínas, 158 mg de cálcio, 84 mg de fósforo, 6,2 mg de ferro, 975 mmg de vitamina A, 0,10 mg de vitamina B1 0,28 mg de vitamina B2 e 70 mg de vitamina C.
Fotos


 
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